Negócios inovadores: a Barbearia do Zé

Inovar é um dos maiores desafios do empreendedor. E ele apostou na inovação para criar um negócio tradicional, com um conceito totalmente novo. No Carioca Valley Day, conversamos com Thiago Reis, co-fundador da Barbearia do Zé.

Por que uma barbearia?

Thiago conta que estava em uma aula de Marketing quando o professor falava que os alunos precisavam aprender a transformar um “butiquim” em “botequim” e uma barbearia em um “barber shop”. Isso o despertou para um novo negócio na área. “Aí eu falei, calma aí professor, volta a fita, como assim uma barbearia em um barber shop?”

O professor respondeu, explicando que havia visitado uma barbearia em Nova York, bem pequeninha, em um bairro “super cool”, em uma região industrial que estava sendo toda reestruturada. Contou que era uma barbearia muito diferente.

“Eu fiquei com aquilo na cabeça, liguei para o meu amigo Hugo, que hoje é meu sócio, e contei a ideia para ele. Ele falou ‘cara, é isso, é isso que a gente está procurando para abrir, a gente está procurando uma ideia inovadora, uma coisa diferente.”

Thiago e Hugo, desde pequenos, falavam em vai o próprio negócio, mas não sabiam o que exatamente. Depois dessa conversa, não houve mais dúvidas.

Thiago se animou com a ideia comentada pelo professor. Mas para o Hugo, barbearia significava muito mais do que para Thiago. “Eu fazia parte de uma geração que cresceu sem referência de barbearia. Eu cortava o cabelo em casa. Não sabia o que era frequentar barbearia mas o Hugo tinha aquela tradição de frequentar barbearia junto com o pai, os tios, os primos.”

Planejamento foi essencial

Os dois adiaram o sonho por dez anos, até um dia resolverem colocar a ideia no papel, para depois, colocar em prática.

“Trabalhamos dois anos pré operacional, nos matriculamos no MBA para trabalhar essa fase de construção e concepção do negócio, e fazer o plano de negócio.”

Tudo foi planejado cuidadosamente, e com certeza esse é um dos motivos de tando sucesso. Por dois anos, ficaram apenas no pré operacional.

“E quando a gente abriu as portas, a coisa acabou explodindo e ganhando uma proporção que a gente não esperava.” Hoje, já estão na décima unidade.

O que não pode faltar nas unidades

“Primeiramente, a simpatia e a resenha.”

Quando estavam construindo o conceito do negócio, o plano de negócios estava caminhando, ainda faltava um nome, faltava alguma causa. Foi quando tiveram a ideia de trazer o Zé para o negócio.

“A gente começou a pensar o que o Zé tinha de característica que combinava com o nosso negócio. E a gente construiu o negócio todo em torno das características do Zé.”

O Zé é avô de Thiago, a personificação do conceito idealizado para o negócio. Preocupado com a boa apresentação, Zé sempre carregava um pente de osso no bolso para manter alinhados o cabelo e a barba.

Praticante de esportes como boxe e futebol, chegou a jogar no Fluminense. Zé marcou a vida de muita gente com o seu jeito boa praça. Foi porteiro do hotel Bragança, na Lapa, desde que chegou de Porciúncula, no interior do Rio de Janeiro. Dali tirou o sustento da família com as boas gorjetas que ganhava pela simpatia.

“O Zé era o cara mais resenhador que eu já conheci na minha vida. Ele adorava a companhia das pessoas, adorava ir para o bar tomar um choppinho, porque o choppinho significava aquela porta de entrada da resenha.”

E Thiago brinca: “Melhor do que cortar cabelo e fazer barba, a gente sabe resenhar; primeiro você tem que ser mais resenhador do que tecnicamente um barbeiro”.

Desafio que virou oportunidade

O principal desafio, para Thiago, foi a mão de obra. Eles estavam entrando em um mercado no qual não existia mão de obra especializada. E precisavam achar alguma forma de trabalhar essa dificuldade.

“Há 20 anos o Brasil não formava barbeiro. O mais bacana é que a gente conseguiu juntar uma galera que veio de cabeleireiro com os barbeiros que trabalhavam em casa mas que nunca tinham estudado.”

A estratégia foi fortalecer o contato e troca entre a própria equipe. “A gente conseguiu juntar esse pessoal para trocar ideia internamente. E nossa técnica surgiu daí.”

Hoje, eles se consideram em um patamar técnico completamente diferente da concorrência. “Nosso principal problema nós conseguimos transformar em oportunidade. Montamos um centro técnico que hoje está indo de vento em polpa, só com a troca de técnica internamente.”

Para Thiago, o primeiro grande desafio do empreendedor é resiliência. Ele defende que para conseguir superar os desafios precisa ter alguma causa.

Qual é a sua causa? Por que você está empreendendo? Por que você sai de casa todos os dias e tem que matar um leão, e quando você mata o leão aparece a família inteira dele e você tem que resolver também? Eu tenho a minha causa, meu sócio tem a causa dele, e a gente procura trabalhar isso com a nossa equipe, fazendo com que todo mundo tenha uma causa para sair de casa todos os dias.

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