Startup de freelancers de TI espera faturar R$1 milhão este ano

E quando a forte conexão do casal ultrapassa o relacionamento e dá certo também no mundo dos negócios? Esse foi o caso de Leandro Oliveira e Juliana Nascimento, namorados na época da fundação da Vibbra!, uma startup de freelancers de TI.

Depois de apresentar crescimento de 27% em 2017, a previsão de faturamento da plataforma é de R$ 1 milhão este ano. A Vibbra! ajuda a conectar profissionais de TI a empresas com demanda de mão de obra qualificada.

Hoje ex-namorados, eles seguiram com o negócio e aproveitaram a cumplicidade e o respeito para empreenderem juntos.

“Já atuávamos juntos na Vibbra! antes do término da relação e estávamos fazendo um trabalho muito bom. Notamos que apesar do lado pessoal estar mudando, o lado profissional seguia tendo uma química muito boa e com bons resultados que cada um sozinho não alcançaria”, conta Leandro.

Leandro Oliveira e Juliana Nascimento (Foto: Divulgação)

Por que uma startup de freelancers de TI?

Leandro é cientista da computação tem cerca de 15 anos de experiência na área de projetos de software e mercado de TI. Já esteve à frente de outras duas empresas no modelo fábrica de software.

“Essa experiência me deu uma visão estratégica do que funciona e também dos problemas vivenciados pelo mercado de desenvolvimento de software. Existe uma alta demanda por esses serviços, uma alta oferta de mão de obra, mas também uma péssima entrega de resultado, geralmente de baixa qualidade e com muitas falhas.”

Com isso, ele viu claramente a necessidade de entregar ao mercado uma mão de obra de mais alto nível, que de fato tenha qualidade e responsabilidade com a entrega.

“Foi aí que introduzimos a ideia de uma rede de profissionais selecinados. Junto a isso, o foco no nicho de empresas de TI ataca a dor de quem mais sofre com essas falhas dos projetos, que é quem vivencia o desenvolvimento de software no seu dia a dia.”

Mas, já existem muitas plataformas de freelancers no mercado. O diferencial da Vibbra!, segundo Leandro, é não ser aberta a qualquer profissional. Para ele, o segredo é não misturar profissionais de alto nível com iniciantes ou de baixa qualidade.

“A nossa rede é selecionada, ou seja, não é qualquer um que entra. Precisa passar pelo nosso processo de seleção, onde hoje apenas sete em cada 100 passam.”

Com isso, a startup mantém uma rede de profissionais de TI de alto nível, testados e com qualidade comprovada. Além disso, facilita o processo de contratação, pagamento e acompanhamento desses profissionais que atuam no modelo de trabalho remoto, sendo um meio seguro e de qualidade para as empresas contratarem freelancers de TI.

Empreender “em casal”

A plataforma nasceu do desejo de Leandro, em 2015. Sua namorada na época, Juliana naturalmente passou a colaborar com o projeto. Formada em cursos da área de Humanas, ela investiu seus esforços em descobrir e selecionar talentos para aderir à plataforma.

“O Leandro vinha da área de programação e software, então, com a junção das nossas aptidões, nos tornamos uma opção para as empresas que precisam ampliar suas equipes de maneira rápida e com profissionais capacitados para cada demanda”, explica a COO da Vibbra!.

O investimento inicial foi de R$40 mil, vindos de um investidor anjo que hoje faz parte do negócio. “Esse investidor é CEO de uma das maiores franquias de presentes do país e foi um dos nossos primeiros clientes. Gostou tanto do resultado que quis entrar no negócio e nos apoiar naquele momento inicial”, conta Leandro, CEO da Vibbra!.

Para ele, a principal vantagem de ter um negócio “em casal” é a cumplicidade e a complementariedade. “Conhecemos muito bem um ao outro e existe muito respeito e admiração mútuos, o que nos torna uma equipe forte e que confia no time que tem, além de termos habilidades complementares que somadas engrandecem a equipe.”

“Azar” no amor, sorte nos negócios

Durante o processo de amadurecimento da Vibbra!, o casal colocou um ponto final no relacionamento. Mas isso não interferiu no andamento da startup.

“Quando terminamos, percebi que a empresa não poderia existir sem ela, que balanceava o equilíbrio entra as áreas de Humanas e Exatas, além de me ajudar na maioria das decisões”, lembra o CEO.

A forte amizade e sintonia ajudaram a dupla a reformular o modelo de negócio e chegar à formatação atual. “Tem que saber lidar com a parte pessoal. Ao mesmo tempo que se lida com o término tem que ser profissional o suficiente para lidar com isso. Para ser saudável é necessário ser muito equilibrado e fazer sentido para o lado profissional dos dois.”

Ele conta que o fato de o término ter sido tranquilo, sem atritos ou mágoas, ajudou. “Vimos que não fazia sentido não seguirmos trabalhando juntos, contanto que isso não gerasse desconforto para ninguém, e de fato nunca gerou.”

Eles passaram por esse “pequeno contratempo” com tranquilidade, e a startup seguiu dando certo. A maior dificuldade, para Leandro, é se manter vivo ao longo do tempo enquanto você está buscando se estabelecer no mercado.

“Esse processo envolve bastante tempo, dedicação e esforço da startup. E pode levar meses como até anos. Em um país como o nosso, onde o ecossistema empreendedor ainda está em processo de maturação, muitas startups morrem antes de conseguirem.”

“Menos tempo no papel e mais tempo na rua”

Na Vibbra!, eles nunca fizeram plano de negócio, o documento formal. Mas isso não significa que não se planejaram.

“O que fizemos foi utilizar processos e metodologias mais ágeis para startups, ficando menos tempo no papel e mais tempo na rua, aprendendo com o mercado e nossos clientes na prática. Usamos métodos como o business model canvas para organizar as ideias e o lean startup para formatar versões mínimas do produto, ir para o mercado vender e testar, aprender e ajustar o modelo, para, por fim, repetir esse ciclo até acharmos o fit de mercado.”

Ele conta que foram ajustando o que era necessário no caminho, mas já ganhando dinheiro.

startup vibbra
A Vibbra! é um site que ajuda a conectar profissionais de TI a empresas com demanda de mão de obra qualificada (Foto: Reprodução)

Um dos pilares do modelo de negócio da Vibbra! é o trabalho remoto. “Logo, nosso time naturalmente é muito fã do modelo”, diz Leandro.

Eles alugaram uma sala por um tempo, porém, acabavam indo apenas dois ou três dias da semana lá. E isso acabou não justificando o custo fixo.

“Como sempre trabalhamos muito bem remotamente, optamos por cancelar a sala, atuar em home office e nos encontrarmos em coworkings, cafés ou na casa de um dos membros da equipe.”

A startup segue a linha enxuta, para se manter leve. São quatro pessoas no time, incluindo Leandro e Juliana.

“Temos empresas contratadas que nos apoiam com administrativo, contabilidade e jurídico. Além de usarmos nossa própria rede de profissionais para questões de design e desenvolvimento de software”, explica o CEO.

Meta de R$1 milhão este ano

A previsão de faturamento da plataforma é de R$1 milhão este ano. De acordo com Leandro, o objetivo, para os dois (ele e Juliana), é muito claro: fazer a Vibbra! dar cada vez mais certo.

“Crescendo e ajudando empresas e profissionais a terem ótimas experiências com desenvolvimento de software, atingindo ótimos resultados. Então focamos em sermos uma plataforma referência no Brasil quando se pensar em freelancers de TI de qualidade e contratação segura. Além de internacionalizarmos, tanto a nossa rede quanto nossos clientes.”

A aposta, agora, é na contratação de pessoas por horas de trabalho. “Desta forma, o contratante pode alocar o profissional em mais de uma demanda e gerar menos falhas nos projetos”, explica o CEO. Outra meta é também tornar a ferramenta mais automatizada.

Com ideias, habilidades e esforços que se complementam, a dupla segue unida e confiante para bater a meta de faturamento previsto para 2018.

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