Sebrae negocia apoio do Ministério ao setor do turismo

As micro e pequenas empresas do setor do turismo vão receber um importante incentivo em breve. É que o Sebrae e o Ministério do Turismo vão unir esforços para orientar e fomentar investimentos para destinos turísticos no Brasil.

Na última quinta-feira, 12, o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, e o ministro do Turismo, Vinícius Lummertz, debateram a proposta junto a técnicos da área. O resultado foi a decisão de criar um grupo de trabalho para elaborar estudos visando a estimular a promoção do setor.

A boa notícia é que a parceria também deve contar com linhas de crédito para que micro e pequenas empresas. Além de Afif e Lummertz, participaram da reunião o presidente da Embratur, Marcelo Lima Costa, e os diretores do Sebrae, Heloisa Menezes e Vinicius Lages.

A reunião foi extremamente positiva, pois discutimos o entrosamento entre o Ministério do Turismo, Embratur e Sebrae para não desperdiçarmos recursos humanos e financeiros nos projetos de turismo. – Guilherme Afif, presidente do Sebrae.

Segundo o presidente do Sebrae, um dos pólos turísticos que poderia ser explorado pelos pequenos negócios seria a Chapara dos Veadeiros (GO).

De acordo com Vinícius Lummertz, o Ministério do Turismo tem pelo menos R$400 milhões para serem investidos no setor. Além de mais R$5 bilhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Os recursos vão ajudar no desenvolvimento do turismo no Brasil, além de dar apoio às micro e pequenas empresas”, ressaltou Lemmertz.

A participação de pequenas empresas no setor do turismo é realmente expressiva. A tabela abaixo, compartilhada pelo Sebrae, mostra esse crescimento:

Mais turistas, empregos e receita

No dia 27 de março, o Ministério do Turismo lançou o Plano Nacional do Turismo 2018-2022. O documento estabelece diretrizes e estratégias para a implementação da Política Nacional de Turismo até 2022. Traz também como metas a criação de 2 milhões de empregos, o aumento do número de turistas nacionais e internacionais, além da ampliação da receita gerada pelo setor.

setor do turismo

Veja as metas do Plano Nacional de Turismo:

Ampliar, até 2022, de 7 milhões para 9 milhões de empregos gerados pelo setor;

Inserir 39,7 milhões de brasileiros no mercado consumidor de viagens domésticas;

Aumentar o número de turistas internacionais no país, de 6,6 milhões para 12 milhões;

Aumentar a receita advinda desses turistas, dos atuais US$6,6 bilhões para US$ 19 bilhões em 2022.

Retomada do crescimento após a crise

Depois de uma forte crise, o Brasil começa a dar sinais de retomada de crescimento. Mesmo que ainda de forma tímida, alguns setores voltaram a crescer. E isso vem animando empreendedores de diversas áreas.

Até bem pouco tempo, esses empreendedores sentiam no faturamento os impactos de uma maior economia por parte dos consumidores. Nos momentos de crise, setores que vivem de produtos e vendas costumam ser os mais atingidos.

No turismo, depois de um movimento fraco nos anos anteriores, agências viram um aumento das vendas no início de 2018. Muito devido ao Carnaval, um dos principais feriados do ano no Brasil.

A Latam Travel, por exemplo, na primeira metade de janeiro já contabilizava um crescimento de 8% nas vendas, em comparação a 2017. A Agaxtur teve um aumento ainda maior (12%). E a CVC também, mas a empresa não revelou números.

Nos hotéis, as notícias também são boas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), os números chegavam a 90% e 95% de ocupação dos hotéis no Carnaval.

Vale lembrar que o Brasil tem tido grande visibilidade internacional devido aos grandes eventos que ocorreram e ainda vão ocorrer no país. Houve o Rio +20 (2012), Jornada Mundial da Juventude (2013), Copa do Mundo FIFA (2014), Rock in Rio (2013, 2015 e 2017) e Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Esses eventos movimentam o setor do turismo, não apenas para o turista estrangeiro, mas também para o visitante nacional. O calendário repleto de feriados em 2018 também é um fator estimulante.

. O futuro do empreendedorismo no Brasil

Setor do turismo no Brasil

Há vários motivos para estimular o turismo em um país. Dependendo da localidade, é possível observar padrões de comportamento do viajante. No Brasil, geralmente as visitas são motivadas pelos seguintes segmentos:

Ecoturismo;

Negócios e eventos;

Turismo religioso;

Turismo de sol e praia.

Para os empreendedores, saber identificar o perfil e as tendências do setor é um diferencial para os negócios.

Tendências e hábitos de consumo do turista

Na publicação Cenários Prospectivos: o turismo brasileiro de 2016 a 2018, o Sebrae listou as principais tendências e hábitos do consumidor na hora de comprar uma viagem. O resultado pode servir de base para a definição das estratégias de empresas do setor.

Turistas nacionais e estrangeiros buscam informações sobre destinos na internet de maneira eficiente, fácil e rápida;

As viagens estão mais acessíveis ao público em geral, independentemente de classe social e econômica. Isso ocorre devido à facilidade de crédito e pagamento. Atualmente, um turista de Xangai consegue fazer o pagamento de um hotel no Recife com a mesma facilidade com que paga suprimentos nos supermercados;

O turista atual está sempre conectado nas redes sociais, aplicativos e sites para planejar sua viagem. Dessa maneira, ele pesquisa com antecedência o local de destino e verifica se o roteiro desejado é viável financeiramente;

Serviços cada vez mais personalizados são uma tendência que só tende a crescer;

A roteirização de viagens que incluem uma grande gama de pontos turísticos de forma rápida e não aprofundada perde espaço, uma vez que os turistas têm muitas informações sobre os mais diversos pontos do planeta. Logo, eles esperam um serviço mais detalhado e personalizado.

Economia compartilhada, tecnologia e destinos inteligentes

Os empreendedores também devem ficar antenados ao crescimento de novas economias e novas formas de uso do consumidor. O mesmo estudo do Sebrae aponta três tendências para ficar de olho: economia compartilhada, tecnologia e destinos inteligentes.

O Uber e o Airbnb mostram a importância da economia compartilhada também para o setor de turismo. Essa economia propõe um estilo de consumo baseado no uso, em vez de se voltar à compra e posse de um determinado bem.

O senso de comunidade e compartilhamento está ganhando cada vez mais força no mundo. Segundo dados da PricewaterhouseCoopers (PwC), a projeção de movimentação global da economia compartilhada em 2025 é de US$335 bilhões.

A tecnologia é parte fundamental do turismo. De acordo com o WTM (World Travel Market)23, um dos perfis de turistas observado é o chamado viajante autônomo, que está sempre conectado e usa os aparelhos móveis e aplicativos para buscar informações, encontrar serviços, fazer reservas, compartilhar experiências e dar feedbacks.

Já o chamado Big Data representa uma outra oportunidade ao turismo. As empresas do setor que souberem se beneficiar da imensa quantidade de dados podem melhorar a experiência dos turistas.

Uma cidade inteligente tem a capacidade de medir, integrar e analisar as informações referentes a transporte público, acomodações disponíveis, trânsito, gasto com energia elétrica, sinalização, iluminação, entre outros. O objetivo é garantir uma melhor gestão pública da cidade. Além da otimização de recursos e experiências mais acessíveis e prazerosas a moradores e turistas.

Já o conceito de destino inteligente está relacionado à promoção dos destinos turísticos por meio das tecnologias digitais. Os dois conceitos estão interligados. E nos últimos anos o Brasil vem recebendo ações que beneficiam as cidades e os destinos inteligentes, principalmente em razão dos eventos esportivos realizados no país, como Copa do Mundo e Olimpíadas.

Segundo o Sebrae, para os pequenos negócios, é importante estar atento ao legado dos eventos. É preciso entender de que forma essa infraestrutura pode beneficiar as empresas.

A jornada do turista conectado

O Sebrae preparou uma cartilha com dicas práticas para agências de turismo atuarem neste mercado tão competitivo e com vários players digitais. A jornada do turista conectado está dividida em pré-viagem, viagem e pós-viagem. Em cada uma destas fases o Sebrae apresenta dicas para agências e parceiros de redes de apoio ao turista.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *