O que podemos aprender com a cultura Nubank?

Com apenas cinco anos de vida, hoje o Nubank se destaca como uma das fintechs mais influentes do mundo. No RD Summit 2018, Marcelo Toledo, diretor de Engenharia do Nubank, compartilhou o que fez diferença para a empresa ter chegado onde chegou.

Entre os motivos, ele destaca uma forte cultura, um time movido a propósito e clientes fanáticos pela empresa. O que podemos aprender, então, com a cultura Nubank?

A inovação é muito mais simples e mais barata do que a gente imagina. E precisa de menos pessoas.

A técnica OODA loop

Um dos insights compartilhados por Marcelo Toledo em sua palestra foi a técnica chamada OODA loop. Ela foi criada por um general na época da guerra, para que os soldados se saíssem melhor em situações de batalha.

“Esse termo se aplica exatamente no mundo dos negócios e ficou famoso no Silicon Valey.”

OODA loop quer dizer:

O – Observar
O – Orientar
D – Decidir
A – Agir

As letras O (observar), O (orientar) e D (decidir) são a parte estratégica. Já o A (agir) se refere ao momento tático. Observar o mercado, se orientar sobre quais empresas estão surgindo, tomar decisões e, finalmente, agir.

Um exemplo clássico de empresa que aplicou essa técnica, segundo Marcelo, é a Netflix. “Eles fizeram OODA. Mas imagina o quão complexo é convencer um time do que está vindo. Em pequena empresa é simples, com time alinhado, mas em grande empresa beira o impossível.”

O ooda loop permite antecipar tendências, enxergar um caminho de sucesso, apostar nele e fazer acontecer. E deve ser um movimento cíclico. “A Netflix começou com um projeto embrionário e a balança mudou. Se não fizessem OODA, hoje estariam vivos?”, provoca Toledo.

Depois que deu certo, ele lembra, teve um segundo ooda loop, que foi produzir conteúdo próprio. “O ooda loop tem que estar presente o tempo todo na nossa vida. Senão, a gente vai ficar para trás. E isso acontece o tempo inteiro no mercado. Entender como você traz valor para o mercado e se adaptar a isso faz toda a diferença.”

Inovação no mercado financeiro

Quando olhamos para o mercado, quem está fazendo OODA loop hoje no sistema financeiro é o Nubank. A fintech, definitivamente, é diferente de todos os bancos que estamos acostumados a ver por aí.

O que o Nubank fez foi uma grande inovação. Mudou os padrões de cobrança e atendimento de serviços financeiros, e colocou o cliente em outro patamar.

Alguém tem alguma dúvida de que o atendimento nos bancos não funciona? O banco abre das 10h às 16h. Não faz o menor sentido!

Para Toledo, um país que tem apenas cinco bancos é inaceitável. “O Nubank entra com propósito de fazer diferente, e não somente ganhar dinheiro. Agência é um negócio que a gente gosta de ir e enfrentar fila? Então não vai ter agência.”

Na palestra, Marcelo contou a história da fundação do Nubank, sobre os três fundadores, entre eles uma brasileira, a única dos três que é do mercado financeiro.

A cultura vem antes

A história do Nubank começou com o colombiano David Vélez. Em 2012, ele veio para São Paulo tentar abrir um escritório do fundo Sequoia. Mas, só teve frustrações com os bancos no Brasil. Foi isso que o motivou a se juntar a Cristina Junqueira e Edward Wible para fundar uma startup com serviços bancários sem qualquer tarifa.

Até aí poderia ser uma história comum de empreendedores que fundaram seus negócios e deram certo. Mas o diferencial, no caso do Nubank, foi que os três fundadores se reuniram e a primeira coisa que fizeram foi escrever a cultura da empresa.

“Você define o propósito, os valores, e passa para a equipe. A gente tinha certeza do que queria. O que vamos fazer? Qual vai ser nosso diferencial?”, conta Marcelo.

Com isso, há cinco anos, eles chegaram em quatro pilares:

1) Ser uma empresa de tecnologia;

2) Dar um design incrível para as pessoas do começo ao fim;

3) Data science (saber usar os dados);

4) Custumer experience (ter o melhor time de atendimento).

A startup começou em uma casa residencial no bairro Brooklin em São Paulo. Eles tinham apenas um sofá, sem mesas e cadeiras. “Começamos com 2 milhões de dólares em 2013, que para construir um banco não é nada. Em 2014 iniciamos os testes com amigos, em agosto levantamos R$ 15 milhões e em setembro abrimos para o público.”

O que mais ouvíamos é que o Nubank era impossível. Mas é possível criar uma rede de clientes fanáticos por você. Quem já viu um banco ter clientes fanáticos?

Os testes com amigos mostraram que eles estavam no caminho certo. Tudo foi planejado. “Quando fizemos o básico bem feito, as pessoas se sentiram livres. Fizemos o óbvio, se você parar para pensar.”

Hoje o Nubank tem três produtos, além de vários sendo desenvolvidos:

Cartão contactless;

Programa de fidelidade que empodera o consumidor;

Conta corrente que rende 100% do CDI.

“Nosso propósito é ser a empresa de serviços financeiros mais influente do mundo. Quando vocês forem trazer investimento para sua empresa pensem nisso. A maioria dos bancos sempre teve como propósito ganhar dinheiro. Assim você toma decisões sempre pensando em dinheiro.”

Diversidade e empoderamento

Outro ponto forte do Nubank e que é visto em praticamente todas as startups do Vale do Silício é a diversidade entre a equipe.

“Queremos equilíbrio em todas as posições. Temos pessoas de 25 nacionalidades, que vêm até nós e que importamos, 40% na equipe é mulher, 30% é LGBT. As pessoas podem se expressar da maneira que quiserem. Se você deixa as pessoas serem quem elas realmente são, elas vão se sentir felizes.”

No Nubank, é possível trabalhar de chinelo, levar cachorro, andar descalço, ir de bermuda.

“O que mais fez diferença foi nossa cultura. Em todas as decisões tomadas dentro da empresa, tem alguém mencionando a cultura. Todo mundo da empresa tem voz. Não tem hierarquia. A diferença entre o estagiário e o CEO na reunião é o argumento e não a patente.

Para Marcelo, time é o que faz diferença. “Nossa contratação é feita por nós mesmos. São de cinco a dez pessoas envolvidas no processo. Contratamos devagar e desenvolvemos essas pessoas. Preferimos empoderar as pessoas. A gente dá poder.”

No Nubank , o time define suas próprias metas. “Tem as metas globais da empresa mas também tem as metas do time, 80% das metas tem que ser construídas pelas pessoas e 20% pela empresa.”

A gente acredita que inovação é dar liberdade para as pessoas e deixar elas pensarem. Se não deixar na mão das pessoas, vamos falhar.

Sobre Marcelo Toledo

Em 18 anos de carreira, Marcelo Toledo se dedicou ao estudo e desenvolvimento de startups, especialmente no mercado de tecnologia. É autor do best-seller “Dono – Um caminho revolucionário para o sucesso da sua empresa”, um manual valioso para qualquer empreendedor que deseja abrir uma startup.

Atualmente, é diretor de Engenharia do Nubank. Já foi diretor da Vex, quando a internet sem fio ainda era uma tecnologia recente e de pouco alcance no Brasil. Em sete anos na direção, ele viu a Vex multiplicar seus hotspots ativos de 180 para 600 mil, em 57 países, e ampliar o número de escritórios de um para 12, pelo mundo.

Também foi diretor de Tecnologia da área de Inovação da Oi, e CTO da LTM. Toledo é um empreendedor de sucesso, fundador e CEO de diversas startups de tecnologia. Entre elas o Payleven, investida do grupo Rocket Internet.

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