Murilo Gun: como sair da zona de acomodação e ser mais criativo

Humorista, palestrante e empreendedor, Murilo Gun é um especialista em criatividade. Hoje seu principal produto é o curso Reaprendizagem Criativa, que ajuda pessoas a se reinventarem pessoal e profissionalmente.

Murilo foi palestrante no Fire Festival, que aconteceu em setembro em Belo Horizonte. Conversamos com ele sobre criatividade, inovação, as habilidades necessárias ao empreendedor do futuro e como sair da zona de acomodação e ir para a zona de aprendizagem.

O Fire é um evento obrigatório para quem trabalha com internet. Reúne inovação, entretenimento e empreendedorismo de forma única. É organizado pela Hotmart, uma plataforma completa para hospedar e vender cursos online.

Como desenvolver a criatividade?

Essa pergunta, como disse Murilo Gun na entrevista, é a “pergunta de 1 milhão de dólares”. Isso porque a resposta pode ser relativa, de acordo com cada um.

Ainda assim, ele conseguiu elencar três passos essenciais pelos quais você deve passar para estimular sua criatividade.

1. Autoconhecimento

“Primeiro, uma coisa que é batida mas que tem que bater porque ninguém faz, que é autoconhecimento. Conhecer qual é a sua ‘parada’.”

Segundo Murilo, o “estado de flow criativo”, que seria a alta performance criativa, ocorre quando você consegue colocar na mesa as habilidade que realmente domina. Ou, como diz Murilo, “que você é ninja”.

E isso pode ser tanto um talento natural quanto uma paixão.

É importante conhecer qual é a sua onda e ter um desafio que demanda essa sua paixão. Esse é o primeiro passo.

Ele lembra também que há um certo preconceito com esse autoconhecimento. “Pensam que é autoajuda, bobagem, tem muito preconceito. Mas acho que isso é um grande primeiro passo.”

2. Repertório

Murilo explica que existe uma variável importante quando o assunto é desenvolver a criatividade.

“Nada vem do nada. As soluções criativas e as inovações sempre surgem do que eu chamo de combinatividade. É a combinação de coisas já existentes, que você vai combinando, algumas inconscientes, outras conscientes.”

Para conseguir fazer combinações criativas, ele explica, você precisa ter um repertório de mil coisas.

“A gente é muito educado a ser estudioso, especialista, vertical, e perde o curioso generalista. Você precisa desse repertório generalista para poder combinar com sua especialidade e gerar coisas diferentes.”

3. Coragem

Esse, segundo Murilo Gun, é o grande gargalo de inovar e fazer coisas diferentes. E ele acrescenta: “Acho que é o gargalo da humanidade”.

O que acontece é que hoje as pessoas possuem milhares de ideias, mas não tem coragem de colocá-las em prática.

“Tem muita gente aí com obesidade mental de ideias, mas engargala porque não tem coragem.”

Sabe por que isso acontece? “Muitos julgamentos alheios e expectativas desalinhadas, até com marido, mulher ou família. Falta também, para ter coragem, o pensamento enxuto de fazer pequeno, porque fazendo pequeno dá mais coragem.”

Outro fator que favorece a coragem, de acordo com Murilo, é ter as pessoas certas ao lado, que complementam. “Isso dilui o risco, o que aumenta a coragem.”

Habilidades do futuro

Murilo Gun já publicou uma série de vídeos onde fala das habilidades do futuro. Aqui, ele elencou cinco dessas habilidades, essenciais ao empreendedor do futuro.

1) Inteligência intrapessoal – “Tem a ver com autoconhecimento, gestão da emoção, inteligência emocional.”

2) Inteligência interpessoal – “É o relacionamento com outras pessoas, a inteligência social, pode-se dizer.”

3) Inteligência interartificial – “Nesse mundo de tecnologia, você tem que se relacionar com outros seres humanos e também com esses novos seres artificiais que estão surgindo. Não é só saber programar ou lidar com os robôs, mas também mexer no seu WhatsApp. A maioria das pessoas são escravas do WhatsApp, ele dita a agenda delas, sequestra a atenção delas.”

4) Inteligência criativa – “Capacidade de usar uma habilidade humana que é incrível, que é a imaginação. A capacidade de criar novas imagens para dar soluções para desafios, e não apenas repetir imagens já imaginadas.”

5) Inteligência aprendedora educadora – “É aprender a aprender e aprender a educar. É uma coisa meio yin-yang, que se mistura. Nunca tivemos a aula de aprender a aprender, simplesmente vai e te vira aí, papai.”

Zona de acomodação X zona de aprendizagem

Para Murilo Gun, o problema da zona de conforto é um problema de nome.

“Tem a zona de conforto, então qual o nome do que está fora da zona de conforto? É zona de desconforto. Aí eu chego para você e falo: tem zona de conforto e de desconforto, quer ficar em qual? Conforto, claro.”

Ele ressalta que é uma questão de semântica. Foi colocado um nome bonito para algo que não necessariamente é bom, e um nome feio para o que não necessariamente é ruim.

Por isso, o primeiro passo é mudar o nome das coisas.

“Zona de conforto é uma zona de ficar parado, de acomodação, estagnação. Tem que ser um nome ruim. E a de desconforto tem que ser um nome bom. Zona de crescimento, de aprendizagem.”

Por definição, ele explica, o que está na sua zona de conforto é o que você já sabe e já conhece. Portanto, toda a aprendizagem e evolução está do lado de fora.

“Aí você fala assim: quer ficar em qual zona, de acomodação ou de crescimento e evolução? E é lindo quando você descobre que toda vez que você pisa um pouquinho fora da zona de conforto, dói, dá uma queimadinha ali. Mas a bicha estica. E esse é o sentido da vida, evoluir.”

Murilo lembra de quando foi ao terapeuta pela primeira vez e o médico perguntou qual o sentido da vida. “E eu falei, o sentido da vida é você realizar sua potência, evoluir e aprender. E aprender é sair da zona de acomodação e ir para a zona de aprendizagem.”

Quais são seus ativos?

Hoje, na era das startups, muito se fala em resolver um problema da humanidade. Mas, para Murilo Gun, o empreendedor deve partir, primeiro, de dentro.

“Uma coisa que eu vejo muito acontecer é ‘encontre o problema, se apaixone pelo problema, encontre a solução, trace um plano de ação’. Mas eu acho legal, em vez de partir do mundo externo, partir de você.”

Quais são os ativos que eu tenho? E ativos não são só habilidades e paixões, mas ativos de pessoas também. Eu tenho capital? Que conhecimentos eu tenho? Que canais eu tenho? Que conexões? E do que eu tenho, que problemas eu posso resolver? É uma visão oposta ao padrão.

Ele explica que é um jeito mais legal de pensar o que você tem, interno e próximo de você, para depois ir para o mundo e perguntar do que o mundo precisa.

“E aí dá o ‘match’. É um jeito diferente de pensar sobre esse negócio de empreender. Senão fica esse ‘aperreio’, tem uma ideia para um problema, mas não consegue fazer, porque não tem ainda os ativos necessários para isso.”

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