Luiz Mandarino: o que você faz para não ser substituído por uma máquina?

Luiz Mandarino é gerente de Marketing B2B da Petrobras Distribuidora. Engenheiro químico, ele direcionou sua carreira nos últimos anos para as áreas de desenvolvimento de negócios, criatividade e inovação.

Luiz foi um dos palestrantes no Mind Conecta, evento que aconteceu na Fábrica de Startups, no Rio de Janeiro, com apoio do site Eu Sou Empreendedor. Aberto ao público, o encontro promoveu a discussão sobre o futuro do Trabalho e a Educação do futuro.

Na ocasião, Luiz compartilhou o que viu em sua visita ao Vale do Silício e questionou a plateia: como conseguiremos estabelecer uma simbiose entre corações humanos e mentes artificiais?

Aprendizados do Vale

Luiz conseguiu realizar o desejo de muitos empreendedores hoje: visitar o Vale do Silício.

Lá, ele teve a oportunidade única de visualizar como funciona um dos ecossistemas empreendedores mais inovadores do mundo.

“O Vale do Silício é muito díspare em relação ao mundo. É um local que desde 1800 vem sofrendo mudanças, desde a Corrida do Ouro, quando começou esse processo todo, muita gente foi para lá. A mistura e a conjuntura de mentalidades das pessoas é que fizeram aquele ambiente ser o ambiente empreendedor que é hoje.”

Para Luiz, dois fatores podem ser destacados no Vale: criatividade e diversidade. Fatores esses que não faltam no Brasil.

“Temos muita diversidade no Brasil, muita potência criativa, muita gente com perfil e com vontade de empreender. Mas, muitas vezes temos dificuldade de mudar a nossa mentalidade.”

Luiz conta que no Vale, a mudança de mentalidade é muito natural. “É a importância do olhar de que tudo é possível, basta que você esteja aberto para conseguir executar.”

O “problema” do Brasil, segundo Luiz, não é de recursos ou de criatividade.

“Muitas vezes, ele passa por um problema de mudança de mentalidade. Então, temos que, de alguma forma, buscar mudar a mentalidade do brasileiro.”

Ele destaca também outro fator muito presente no Vale: a confiança nos relacionamentos. “Isso cria um ambiente muito propício para que você possa executar o processo, atrair e gerar possibilidades.”

Claro que a tecnologia não poderia deixar de ser destacada. Luiz conta que ela é vista no Vale de forma muito intensa, inserida no dia a dia de quem está em São Francisco.

“Você vê a tecnologia no dia a dia e as pessoas consumindo de forma natural, as pessoas muito abertas a consumir e experimentar. Lá, o pessoal é muito mais disposto a aceitar o mínimo produto viável.”

A tecnologia vai “roubar” empregos?

Em sua palestra, Luiz compartilhou um dado curioso: mais de 33% das pessoas acham que vão perder seus empregos para a tecnologia.

Há um evidente medo do novo, do desconhecido, mas também uma resistência a sair da zona de conforto.

“Todo mundo tem muito um sentimento do desconhecido, de entender ou achar o que vai acontecer, principalmente, com algumas tecnologias, que chamamos de tecnologias exponenciais. De alguma forma, elas estão impactando várias áreas do conhecimento. Uma delas é a inteligência artificial.”

Para Luiz, temos que fazer uma primeira pergunta: o que eu faço hoje pode ser substituído por uma máquina?

E há, ainda, outras perguntas complementares:

  • O que eu estou fazendo para não ficar obsoleto?
  • O que eu estou fazendo para mudar, aprender, desaprender e reaprender?
  • O que eu estou buscando para mudar de mentalidade e sair da zona de conforto, para estar melhor preparado para esse novo futuro?

“Muitas vezes, resistimos a mudanças, e muitas vezes temos que fazer o movimento contrário, abraçar a mudança. Quando abraçamos a mudança, tudo se esclarece. Conseguimos saber exatamente o que precisamos fazer e como fazer.”

Profissões do futuro

Luiz compartilhou algumas profissões que vão surgir com as novas tecnologias. Ou seja, novas oportunidades no mercado de trabalho.

Nos próximos 5 anos:

  • Data Detective (detetive de dados);
  • Man-Machine Teaming Manager (gerente de equipe homem-máquina);
  • Fitness Commitment Counselor (conselheiro de compromisso de aptidão física).

Nos próximos 10 anos:

  • Personal Data Broker (corretora de dados pessoais);
  • Augmented Reality Journey Builder (construtor de jornada de realidade aumentada);
  • Robot Psychologist (psicólogo de robôs).

O futuro do trabalho e da educação

No Mind Conecta, uma das provocações que Luiz deixou ao público foi: como se conectam o futuro do trabalho e o futuro da educação?

“A questão crítica é como eu consigo usar as novas práticas educativas, a nova forma de aprender, que não necessariamente é numa sala de aula. Vimos aqui a possibilidade de aprender a partir de uma passagem de conhecimento de pessoas que estão querendo compartilhar seu conhecimento, principalmente para despertar a curiosidade.”

Para ele, a questão hoje não é o conteúdo, mas a forma. O conteúdo está disponível na palma da mão, no celular.

“A questão principal é se temos curiosidade para fazer as perguntas certas. Como eu vou conseguir executar? Qual é a minha intenção de fazer isso? Buscar o conhecimento para resolver um problema.”

A Educação, para Luiz, vai passar muito por esse questionamento. A discussão se volta menos para o conteúdo e mais para as novas plataformas e a forma de aprender online.

“A sala de aula conseguiu estar digitalizada. Isso é algo fantástico. É algo que traz muitas possibilidades para ajudar nessa questão futura que fala que praticamente metade dos empregos deixarão de existir, no sentido do uso de novas tecnologias e da automação que vai acontecer muito forte no mundo nos próximos 10, 20 anos.”

Webinar gratuito

No dia 4 de abril, às 19h, Luiz Mandarino fará o webinar gratuito “Aditivando ideias direto do Vale do Silício”.

O objetivo é compartilhar a transformação vivida em cinco dias de imersão em uma aceleradora de startups no coração do ecossistema mais inovador do mundo.

Nesse webinar, são esperados muitos insights sobre Mindset, Empreendedorismo, Modelos de Negócio, Conectividade entre Empresas, Empreendedores, Startups, Tecnologias Emergentes e muito mais.

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