Lindalia Junqueira: inovação e incentivo às startups

Ela foi pioneira no incentivo às startups no Brasil. Inovação é sua principal bandeira, nesse meio do empreendedorismo jovem e tecnológico. No Carioca Valley Day, batemos um papo com Lindalia Junqueira, diretora de educação da Gávea Angels, uma rede com mais de 50 investidores associados.

O mercado de startups

Quando assumiu a diretoria de inovação de uma universidade no Rio de Janeiro, Lindalia percebeu que as universidades tinham muitos programas de incubação de projetos. E por outro lado, havia muito acelerador e investidor procurando negócios nascentes.

“E não tinha ninguém formando essa escola. Mas para você ter craque, precisa ter a escolinha de futebol.”

Foi aí que ela criou a primeira pré aceleradora de startups do Brasil, a Espaço NAVE, que ganhou prêmio como melhor aceleradora. “Isso foi muito importante para mostrar que no Rio é possível. Que a gente pode, juntando a comunidade, fazer com que a gente crie relevância, crie visibilidade.”

Em dois anos, a Espaço NAVE pré acelerou 60 startups. Sessenta empresas que continuam no mercado até hoje.

Lindalia explica que uma pré aceleradora atua antes de o negócio ser acelerado e receber investimento, quando ele ainda tem que ser validado. “É importante, quando você tem uma ideia, que você se junte aos empreendedores em que você confia e que vão fazer parte da sua equipe, e que você valide essa ideia antes e valide o modelo de negócio.”

Para ela, essa validação só se consegue com o ambiente propício e mentorias adequadas. Na NAVE, durante quatro meses, as startups passavam por um programa intenso, do qual saíam prontas para receber investimento. Isso aumentava as chances de sucesso no mercado.

“O mercado hoje no Brasil está pungente de startups. Eu rodava todo final de semana pelo Brasil todo, e é incrível como você tem talentos potenciais.”

Lindalia é pioneira no incentivo às startups. Para ela, é muito importante unir essas empresas e mostrar o potencial delas. “Tem muitos investidores de fora do Brasil querendo vir para cá investir nessas startups. Porque aqui nós temos startups que realmente resolvem problemas reais do mercado, que geram impacto.”

Pensando nessa integração entre as startups, investidores e a sociedade, ela criou o movimento Juntos pelo Rio no ano passado. “Unindo governo, academia, investidor, empreendedor e empresário, a gente faz uma força gravitacional que mude efetivamente o patamar do cenário econômico do Rio de Janeiro.”

O conceito de startup

A cada dia nascem novas startups. Às vezes, a sensação é de que qualquer empresa nova é uma startup. Por isso, não podíamos deixar de perguntar a Lindalia, uma especialista na área, o que uma empresa precisa para ser considerada uma startup.

Uma startup é uma empresa de base tecnológica que tenha potencial de escala, potencial escalável e repetível. O que quer dizer isso? Com uma equipe enxuta, ela consegue atender a um cliente, como consegue atender a um milhão. E consegue fazer com que esse negócio tenha efetivamente uma solução que resolva algum problema do mercado.

Por exemplo, uma empresa pode ser tecnológica, de software, mas que não seja escalável, que vende uma consultoria. “O importante é saber qual a dor real que essa empresa está resolvendo no mercado, qual o tamanho desse mercado, e se ela consegue ser escalável e repetível dentro dessa base tecnológica que ela criou.”

Como conseguir investimento

Depois de acelerar startups e ajudá-las a conseguir investimento, hoje Lindalia está do outro lado da mesa. “Agora eu virei investidora anjo, sou investidora do Gávea Angels, invisto em algumas startups que estão começando.”

Ela explica que o anjo é um investidor que pega realmente a startup que ainda está precisando de mentoria. “Não é só colocar dinheiro, é colocar dinheiro, mentorar e abrir alguns canais.”

O número de investidores cresceu bastante. Hoje, inclusive Finep e BNDES criam co-investimento com os anjos. “Você tem vários editais, inclusive de aceleradoras, sendo abertos para selecionar startups, que podem ser aceleradas e depois receber investimento.”

Um investidor anjo procura:

um empreendedor que demonstre que realmente quer transformar aquele negócio

um empreendedor que se dedique plenamente à startup

uma equipe que tenha competências para levar aquele negócio à frente

uma startup que já vendeu para, pelo menos, um cliente

Como conseguir o primeiro cliente

Lindalia, como uma investidora, explica que o investidor precisa entender qual é o potencial do negócio, para então colocar dinheiro e arriscar junto. “Porque a gente corre o risco junto.”

“Tem muita startups que é startup power point, que faz um power point bonito, faz um picth bonito. Mas o investidor quer ver qual é o seu modelo de negócio, como você vai fazer a diferença no mercado, quais são os clientes ou parceiros que você já está negociando ou já fechou.”

Mas, uma das maiores dificuldades das startups é justamente ter o primeiro cliente. Como, então, conseguir investimento sem ter um caso de sucesso?

Para Lindalia, uma boa estratégia é se aproximar de uma empresa, se sua startup for voltada para venda para outra empresa, e propor um teste. E propor: “Vou fazer um teste para você de graça. Se eu for bem sucedido, você me dá essa oportunidade?”

Ter um investidor anjo, que pode apresentar sua startup aos contatos dele, é uma boa. Mas há várias formas para você se aproximar de clientes.

“O mais importante é você entender que clientes potenciais são esses. Para você chegar e propor: testa junto comigo e deixa eu tentar resolver seu problema. Tenho certeza que se for bem sucedido a empresa vai querer continuar.”

Para a investidora, no fundo as grandes empresas também estão buscando soluções inovadoras. “Isso é um match perfeito. Não é fácil. Você tem que mostrar credibilidade e confiança. Mostrar que você vai prestar um serviço bom mesmo sendo uma empresa pequena. Mas depois que você vence essa barreira, é matador.”

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