Lillian Coelho: oportunidades que a tecnologia traz para advogados

Lillian Coelho é advogada especialista em startups, inovação e tecnologia no mercado jurídico. Para ajudar outras advogadas nesse novo cenário, cada vez mais tecnológico, Lillian fundou o Elaws, uma rede que conecta advogadas à tecnologia.

Ela foi uma das palestrantes no Mind Conecta, evento que aconteceu na Fábrica de Startups, no Rio de Janeiro, com apoio do site Eu Sou Empreendedor. Aberto ao público, o encontro promoveu a discussão sobre o futuro do Trabalho e a Educação do futuro.

Na ocasião, Lillian falou sobre as habilidades do advogado do futuro e a necessidade de as faculdades se adaptarem a esse novo mercado.

Direito e Tecnologia

Quando falamos em área jurídica, a primeira coisa que vem à mente é aquela linguagem rebuscada, tradicional, difícil, que não é muito acessível a todo mundo.

Mas, esse cenário vem mudando com a entrada de cada vez mais tecnologia. E para Lillian, essa mudança não é fácil.

“O Direito é uma mudança de paradigmas de todos os lados. Tivemos o trabalho de fazer essa pesquisa [sobre a imagem do advogado] e as pessoas falavam: aquela pessoa que só vê problema, vive engessada, cheia de roupa fechada e fala o ‘juridiquês’.”

Essa quebra de paradigma, segundo ela, é um “trabalho de formiguinha”. Para isso, o Elaws realiza eventos e produz conteúdo na Internet, tentando conscientizar as pessoas dos benefícios de aliar Direito e Tecnologia.

“O grande trabalho está sendo feito para quem chega no mercado agora. É muito mais difícil você mudar a mente de quem já está há muitos anos no mercado, porque o Direto é uma carreira extremamente tradicional.”

Segundo Lillian, quem está chegando no mercado agora e quem está conseguindo enxergar uma nova proposta conseguem fazer a mudança de mindset.

“Existe uma analogia que fala que inovação é igual à água, uma hora ela vai seguir o curso. Por mais que as pessoas resistam, não vai ter jeito. Uma hora a inovação e a tecnologia vão chegar e você vai ter de se adaptar.”

Formação inadequada

O mercado do Direito recebe todos os anos milhares de novos advogados. Mas, Lillian defende que as faculdades hoje não preparam esses profissionais para um mercado cada vez mais tecnológico.

“O gap das nossas universidades ainda é muito grande. Hoje no Brasil só temos uma universidade, particular, que colocou na grade algumas disciplinas relacionadas a Direito e Tecnologia. Na grande maioria, estão formando os mesmos profissionais de quando eu me formei, há 13 anos.”

Com isso, os novos advogados já chegam no mercado defasados. E a solução encontrada é buscar conhecimento fora das faculdades, em escolas de negócios, cursos, palestras e workshops.

“Só que, infelizmente, se esse conhecimento não é acessível para todo mundo, esse profissional vai ficar perdido. Tem universidade que ainda ensina latim, enquanto hoje já temos de aprender linguagem de programação.”

Para Lillian, esse processo de mudança vai partir muito mais de entidades externas, como as escolas de negócios e grupos como o Elaws, do que das universidades.

“Você mudar uma grade de universidade é muito difícil, envolve questões governamentais. Mas temos visto muitos projetos no mercado empenhados em fazer isso. A tendência é mudar, mas nas faculdades ainda temos um longo caminho a percorrer.”

Novas oportunidades para advogados

A tecnologia trouxe centenas de novas oportunidades para os advogados, ressalta Lillian. Por exemplo, se lançar num novo nicho.

“Hoje uma especialidade que está ‘bombando’, digamos assim, é a área de proteção de dados. Recentemente teve a aprovação da lei europeia de proteção de dados pessoais, e o Brasil rapidamente correu para aprovar a sua, em agosto do ano passado. Para 2019 e 2020, é evidente que todas as áreas que envolvam proteção de dados vão ser promissoras no mercado, inclusive para o advogado.”

Por outro lado, para aquele advogado mais tradicional, que não quer sair da sua área, existe a oportunidade de se adaptar às mudanças que a tecnologia traz.

“Tem o exemplo da área de sucessões. Ele sempre inventariou os bens, e agora tem a chamada herança digital. Aquilo que você vai deixar de acervo nas redes sociais.”

Outra oportunidade são as lawtechs (ou legaltechs), startups que trazem soluções para o mercado jurídico.

“Na sua grande maioria, os CEOs e empreendedores são advogados que tinham uma veia empreendedora, enxergavam um problema e queriam criar uma solução. Eles estão criando empresas para ajudar o próprio mercado.”

Habilidades do advogado do futuro

Além do bom e velho networking, que é hoje essencial e vai continuar sendo nos próximos anos, Lillian destaca mais duas habilidades fundamentais para os advogados.

Multidisciplinaridade

“É você se conectar com colegas de profissão e com colegas de outras profissões. Colegas da área de tecnologia, desenvolvedores, designers. Temos de aprender a falar com outras áreas.”

Capacidade de produzir conteúdo

“Estamos num mercado de muita informação. O cliente chega no seu escritório sabendo qual é o Direito, como fazer e quando ele vai ter a sentença. Se você não se destacar no mercado produzindo conteúdo, você vai continuar sendo mais do mesmo e brigando no mercado.”

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