Greve dos caminhoneiros: "empreendedor deve ter paciência", diz Sebrae

A greve dos caminhoneiros, anunciada no dia 18 de maio, segue ainda por tempo indeterminado. Se você é empreendedor e está sofrendo o impacto dessa greve, a palavra do momento, segundo o Sebrae, é paciência.

O presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, em entrevista ao site PEGN, declarou:

Combustível tem. Não estamos em economia de guerra. O empreendedor tem de ter paciência.

Guilherme Afif recomenda que se tenha muita paciência nesse momento tão conturbado. Para ele, na atual situação, não há muito a que o empreendedor fazer.

“Não adianta brigar com o posto de gasolina. Ele é a ponta do iceberg. Quem é o verdadeiro causador está escondido, olhando todo esse imbróglio pela fresta.”

Guilherme Afif Domingos
Presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos (Foto: Agência Sebrae)

Afif defendeu que a frustração dos caminhoneiros é compreensível. Para ele, a mobilização, em si, não é ruim.

“Isso que está acontecendo não é uma explosão sem causa. Tem motivo. E é importante, porque se indignar é bom. Saímos daquela ideia de que as coisas são do jeito que são. Tem de mudar. Esse alerta é mobilizador.”

Ele próprio se define um crítico ao governo, e afirma que a greve é consequência de uma má gestão da Petrobras. “Esse é o estopim de uma relação promíscua entre o Estado e uma empresa estatal.”

P presidente do Sebrae Nacional também defende que a sociedade como um todo está sendo afetada. “O petróleo faz parte da estrutura de vida do brasileiro. Essa variação, em um mercado retraído, não deveria ser repassada ao povo. Em termos de renda, o cidadão brasileiro ainda está na UTI.”

Entenda a greve dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros começou a tomar forma na terceira semana de maio. Os protestos são liderados por associações de caminhoneiros autônomos que são contra a política de preços da Petrobras. Acompanhe cronologicamente o andamento da greve dos caminhoneiros.

18 de Maio – Sexta-feira

Os caminhoneiros fizeram o anúncio de greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, dia 21, caso o governo não reduzisse a zero a carga tributária sobre o diesel. Eles alegam que tentam negociar desde outubro de 2017. Sem respostas até 14 de maio, decidiram pela greve.

19 de Maio – Sábado

A Petrobras elevou os preços do diesel em 0,80% e os da gasolina em 1,34% nas refinarias. Esse foi o quinto reajuste diário consecutivo. Entre julho de 2017 e maio de 2018, o aumento para o consumidor foi de 21%. Só entre janeiro e maior, aumentou 8,2%.

20 de Maio – Domingo

A Justiça Federal proibiu o bloqueio total de estradas federais por caminhoneiros no Paraná. A ação foi movida pela Advocacia Geral da União (AGU) a pedido da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A multa pelo fechamento total seria de R$100 mil por hora.

21 de Maio – Segunda-feira

Os primeiros bloqueios de rodovias foram registrados em 21 estados. Sendo que a Rodovia Régis Bittencourt passou a ser um dos símbolos da greve, bloqueada nos dois sentidos. Houve tomada de acostamentos e queima de pneus.

O Ministério de Minas e Energia prometeu reunião do presidente Temer com ministros no Planalto no fim da tarde. Antes do encontro, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o governo federal buscaria “um pouco mais de controle” para dar “previsibilidade” à alta dos combustíveis.

22 de Maio – Terça-feira

O número de estados atingidos chegou a 24. Além das vias fechadas, começam os impactos da greve dos caminhoneiros. Chevrolet, Fiat e Ford anunciaram problemas para lidar com a produção devido às manifestações. Aeroportos começaram a racionar combustíveis.

A Petrobras reduziu o preço dos combustíveis para as refinarias. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou que o governo fez um acordo para zerar um dos impostos sobre o diesel e que acabará, em 2020, com a desoneração da folha em todos os setores.

Os presidentes da Câmara e do Senado anunciam acordo com governo para ‘zerar’ os tributos de combustíveis. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que foi montado um gabinete de crise.

23 de Maio – Quarta-feira

Bloqueios atingem 23 estados e o Distrito Federal e passam a causar problemas em diversos setores do país. Como desabastecimento, paralisação de exportações e redução de linhas de ônibus.

Os Correios suspenderam as postagens e a produção em pelo menos 129 frigoríficos e abatedouros foi paralisada. Houve falta de produtos e no Recife, o litro da gasolina chegou a ser vendido a R$8,99.

Temer afirmou que pediu “trégua” de dois ou três dias aos caminhoneiros, e a Petrobras anunciou redução de 10% no diesel por 15 dias.

24 de Maio – Quinta-feira

Greve dos caminhoneiros atingiu 25 estados e o Distrito Federal. As consequências se alastraram com redução na frota de ônibus, falta de combustíveis e produtos em supermercados.

O presidente Temer se reuniu com ministros, com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e com o presidente da Petrobras, Pedro Parente. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou que conseguiram chegar a um acordo e que suspenderiam a greve nacional por 15 dias.

Mas duas entidades que representam os autônomos, a União Nacional dos Caminhoneiros e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), não corroboram o acordo.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que há indícios de locaute.

25 de Maio – Sexta-feira

Apesar do anúncio do acordo, a greve segue, chegando ao quinto dia. O governo acionou forças federais para desbloquear as estradas. Mas os caminhoneiros mantêm a estratégia de ficarem concentrados principalmente nos acostamentos.

Aumentou a lista de aeroportos que ficaram sem combustível, e a falta dele limitou a circulação de ambulâncias. Em alguns estados, cirurgias foram canceladas. Universidades e escolas suspenderam aulas por causa da greve dos caminhoneiros.

O presidente Temer mudou de tom e criticou uma “minoria radical”. A Polícia Federal apura se houve prática de crimes na greve. Já a Advocacia-geral da União acionou o STF para que a greve seja declarada ilegal.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *