Founder Institute: aceleração de startups com foco no empreendedor

O Founder Institute é, basicamente, uma aceleradora de startups. Mas não é só isso. Como o próprio nome sugere (founder = fundador), o programa tem foco total no empreendedor. Ou seja, em quem realmente faz acontecer.

No último dia 6, foi realizada a cerimônia de graduação dos participantes do programa. O evento contou com uma palestra de Sidney Breyer, fundador da AGGIR Capital & Gestão, além do pitch dos empreendedores que se formaram após três meses do programa.

Do Vale do Silício para o mundo

Fundado no Vale do Silício, em 2009, o Founder Institute está presente em quase 190 países. No Brasil, atua em oito capitais.

No Rio de Janeiro, essa presença não existia até 2017, quando Marcos Sêmola e outros dois diretores trouxeram, como voluntários, o programa para a cidade.

Segundo ele, a iniciativa engloba a oferta de três valores principais: método, processo e uma rede global de mentores.

“O Founder Institute é um programa internacional, o maior programa de validação e lançamento de startups tecnológicas do mundo.”

A aceleração dura 14 semanas, com uma seção por semana, sempre à noite para evitar o impacto no trabalho ou estudo do empreendedor.

“Ele está em uma fase bem inicial e nem sempre tem a certeza da qualidade do seu negócio. Até porque nós vamos validar a ideia”, conta Sêmola.

“Três anos em três meses”

Durante as 14 semanas, os participantes recebem mentorias presenciais coletivas e, o mais importante, vão a campo realizar tarefas.

“Tarefas não genéricas, mas tarefas do seu próprio negócio, que vão ajudá-los a obter respostas, positivas ou negativas, sobre suas ideias. Fazendo com que eles decidam mexer, melhorar, mudar aquela ideia. Tudo com o propósito de fazê-lo transformar uma ideia em um negócio que tenha maiores chances de sucesso.”

Mas, nem tudo são flores. O caminho é árduo e o treinamento é puxado. Tanto que muitos empreendedores ficam pelo caminho. Segundo Sêmola, em geral, 25 a 30% conseguem entrar no programa e de fato validar suas ideias.

Lidia Pessoa conseguiu a graduação com sua startup, a Presente Solidário. Ela, Cecilia Schiera e Giselle Haimovitz fundaram um site para ajudar pessoas a darem presentes com propósito, que impactam a sociedade positivamente e colaboram para o círculo virtuoso do consumo consciente e sustentável.

Na ferramenta, é possível criar lista de presentes que são repassados para ONGs, após dedução das taxas. Além disso, o dono da lista e seus convidados recebem fotos ou vídeos das entregas dos presentes e assim podem sentir o impacto que causaram na vida dos presenteados.

“Eu tive essa ideia no meio do ano e começamos a trabalhar, mas de uma forma bem lenta. Soubemos da possibilidade do Founder e do nível de aceleração e exigência que eles tinham. Resolvemos aplicar e encarar o desafio”, conta Lidia.

Para ela, foi uma etapa de muito crescimento, principalmente pelo feedback dos mentores.

“Você é exposto a muitas dificuldades e muita pressão para entregar o melhor e ser excelente. Adorei o programa e acho que todo mundo que tem uma ideia e não sabe muito bem como executar e precisa acelerar tem que estar no Founder. O nome é esse: aceleração. Você faz três anos em três meses.”

Foco no empreendedor

Sobre essa última turma, Marcos Sêmola destaca um nível excelente.

“Nós já fizemos três ciclos no Rio de Janeiro, cada ciclo de 14 semanas. E notamos que essa última turma é o reflexo de um trabalho que vem sendo feito há um ano e meio. E que envolve elementos que nós controlamos, por exemplo a qualidade e dedicação dos mentores, mas também a qualidade dos founders.”

Ele conta que com o tempo e com a prática do método, o mercado começou a ouvir informações de que o Founder não é só uma escola. “Quem vem para conseguir graduar tem que botar energia e paixão pelo problema que quer resolver. Isso já afugenta aqueles empreendedores de verão.”

O Founder foca na qualidade e comprometimento do empreendedor, e não na quantidade. “Essa última turma é a evolução das duas anteriores. Foram mais focados, mais dedicados, entraram mais qualificados, e o resultado está aí. São startups mais redondas para encarar o mundo real.”

Uma das mentoras, Adriana Valle, revela que a turma tinha “uma energia absurda”.

“Eles estavam super engajados. Sou mentora do Founder há algum tempo e eles fizeram uma coisa sensacional: marcaram ensaios fora dos ensaios formais. Eles foram extremamente dedicados, não foi à toa que tantos se formaram.”

Já Daniella Meirelles, também mentora, ressalta que a grande vitória dos empreendedores é poder falar “Eu realmente vou conseguir” e colocar toda a sua energia no projeto.

“A frase do Founder é algo como ‘Work hard or go home’ e traduz exatamente isso. Ou você trabalha muito e dá o seu melhor ou fica em casa.”

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