Por dentro de uma fábrica do mercado de moda

Quando você entra em uma loja do mercado de moda, imagina que existe uma história por trás daquele lugar? Na última terça-feira, 18, acompanhamos uma visita técnica à fábrica do Grupo Sacada, detentor das marcas Oh, Boy!, Sacada e YOBOH. A ação é uma iniciativa da Comunidade Bazzah, que além de um marketplace oferece apoio no desenvolvimento de neomarcas.

O encontro começou cedo, com direito a café da manhã e muito networking pelo caminho. Foram convidados alguns representantes de marcas da comunidade, entre as 150 empresas presentes no marketplace. Na fábrica da Oh, Boy!, o grupo foi recebido pelo próprio dono da marca, Isio Speiski.

Isio Speiski

A primeira atividade começou em uma pequena sala de reunião. Um bate papo descontraído, com Isio Speiski no centro das atenções, compartilhando informações valiosas com os novos empreendedores.

Bernard Reis, head da Comunidade Bazzah, foi quem liderou a visita. “O objetivo é trazer para as marcas que trabalham com a gente uma experiência de pessoas e empresas que são referência em seus mercados.”

Em uma rápida apresentação a Isio, Bernard  falou sobre a comunidade e a proposta de ajudar as neomarcas. Segundo ele, a ideia é fornecer ferramentas e práticas para mostrar como funcionam as grandes empresas.

Isio Speiski explicou um pouco o processo de produção e como administra as 28 lojas próprias e mais de 500 multimarcas. “Começamos bem pequenos e fomos crescendo como indústria da confecção. O Estado do Rio entendeu a importância desse segmento. Tem até uma lei que inventiva essa competitividade”, lembrou.

A fábrica passa por uma grande obra, que vai juntar seis imóveis no bairro de São Cristóvão, em uma área total de oito mil metros quadrados. A marca passa por um momento de organização, concentrando os processos e a produção em um só lugar.

“Estamos fazendo uma mega obra para juntar esses espaços todos, para estar com a mesma logística”, contou Isio. Segundo ele, a fábrica produz perto de 60% do que as marcas do grupo vendem. Ali, desenham, modelam e testam, além de cortarem a maioria dos tecidos leves. “Para jeans, é corte externo”, pontuou.

Indústria da confecção

Uma das dicas interessantes passadas por Isio foi justamente em relação à terceirização da produção. “Para o bem do produto, é melhor usar um especialista do que fazer e não ter um produto tão bom. Há pequenas indústrias de confecções que prestam serviços para empresas maiores. É bom fomentar essa rede de desenvolvimento e organizar a indústria de confecção.”

Para os empreendedores, ver que empresas desse porte também passam por desafios é um alívio e, ao mesmo tempo, inspiração. “Os desafios não terminam. Até por estarmos em um país que está se desenvolvendo”, revelou Isio.

Ele falou também do planejamento de desenvolvimento do produto, logística, riscos cambiais, inflação e planos de governo. Para ele, houve uma ruptura muito grande do perfil dos consumidores e o modo que se operava há alguns anos.

Na era das lojas virtuais, o assunto também esteve na pauta da conversa. Isio comentou a transferência da loja física para a online. “Acho que no final um vai colaborar com o outro. As lojas físicas são fundamentais, mas o online também ajuda.”

“Temos que sonhar todos os dias”

Hoje a marca possui 800 funcionários, sendo que cerca de 250 ficam na sede, em São Cristóvão. “Uma loja você tira de letra. E quando você vê 60?”, brincou Isio. “Temos que sonhar todos os dias. Se não sonhar, não vai acontecer”, completou.

Ainda na sala de reunião, os participantes assistiram a um vídeo sobre o andamento da reforma. Isio espera terminar 2018 com a obra concluída. “O momento está sendo de organizar”, concluiu.

A visita seguiu com um tour pela fábrica, onde era possível se perder de tão grande o complexo. Passamos por diversos setores, desde administrativo até produção, inclusive uma loja modelo com amostras de coleções.

visita oh boy mercado de moda
Acompanhamos uma visita técnica à fábrica do Grupo Sacada, detentor das marcas Oh, Boy!, Sacada e YOBOH

Depois, seguimos para um dos maiores shoppings da cidade. Lá, fomos recebidos nas lojas da Oh, Boy! e da Sacada. Vendedora e gerente explicaram sobre a disposição das araras de roupas e ações específicas no ponto de venda. Um atendimento personalizado e intimista é um dos diferencias das lojas da marca.

Aprendizado também nas lojas

Na loja da Oh, Boy!, uma vendedora explicou que a disposição das araras obedecem às coleções, por estampa. Também falou de espaços específicos criados a cada semana. Por exemplo “peças off” e “roupas de baixo” (saias, calças e shorts).

Já na loja da Sacada, fomos recebidos pela gerente. Além da disposição das peças no espaço, ela falou sobre uma apresentação impecável. As roupas devem estar sempre bem passadas, de uma forma que desperte o desejo das consumidoras.

A sintonia entre vendedora e cliente foi um dos pontos mais destacados. Segundo a gerente, atendimento deve estar ligado a “viver uma experiência”. O mesmo tratamento é dado a quem compra e a quem não compra. As vendedoras oferecem café, chá e água, e o contato segue pelo Whatsapp depois que a cliente sai da loja.

A Sacada adota um sistema moderno, onde a vendedora consegue acessar do telefone todos os contatos e histórico de clientes. É possível ver a agenda de aniversariantes do mês e do dia, em que fase está o pós venda e a agenda de batimento de cota. Tudo isso para fortalecer o laço de amizade entre vendedora e cliente.

A gerente da loja lembrou que hoje em dia, não se pode mais usar a velha técnica do varejo de abordar o cliente com “posso te ajudar?”. A marca investe em treinamento e feedback o tempo inteiro, para manter o atendimento personalizado e intimista. A grande dica que ficou foi a necessidade de aproximação com o cliente.

Para Rafaela Malheiros, da We.concept, umas das marcas da Comunidade Bazzah, a visita foi muito produtiva. “Achei maravilhoso para quem está empreendendo, até para quem já tem uma marca há algum tempo. Foi essencial conversar com alguém com tanto tempo de mercado, com tanta informação e dica. Às vezes a gente fica nervosa, aí conhece uma empresa grande que passa pelas mesmas dificuldades. Isso dá uma inspiração para continuar.”

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