Ele transformou uma comunidade com a sustentabilidade

A ideia começou há mais de 20 anos, quando Claudio Miranda começou a tocar samba com seus amigos na favela Jardim Ângela, em São Paulo. O grupo criou seus instrumentos usando lixo, metal e baldes reciclados. O talento para a sustentabilidade se expandiu, gerando uma comunidade sustentável conhecida como Favela da Paz.

Conversamos com Claudio Miranda no RH-Rio 2018, evento de Gestão e Recursos Humanos que aconteceu no Rio de Janeiro. Ele falou sobre o Favela da Paz, como o empreendedor deve incluir a sustentabilidade na sua rotina, e como empreendedor com poucos recursos.

Instituto Favela da Paz

A banda Poesia Samba Soul surgiu em 1989. A comunidade de Jardim Ângela, periferia de São Paulo, chegou a ser considerada a favela mais violenta do mundo. Mas desde o início, o grupo, do qual Claudio faz parte, tinha um propósito claro, “mudar sem se mudar”.

A música aproximou as pessoas da região, e veio então a necessidade de criar o Instituto Favela da Paz. O objetivo era dar um suporte à comunidade, descobrindo os talentos e apoiando projetos que pudessem ser referência para outras favelas de São Paulo.

“O Instituto é uma espécia de guarda-chuva de projetos. Trazemos sempre essa ideia do guarda-chuva que você abre e tem várias iniciativas. Na área de sustentabilidade, esporte, educação, arte e cultura.”

Cada área dessa possui vários projetos em curso. São, pelo menos, 13 iniciativas, desde eventos até aulas de música.

Sustentabilidade na vida e na empresa

Sustentabilidade é um tema muito falado hoje em dia, e as empresas já estão despertaram para isso. Mas ainda há muito a evoluir.

Para Claudio Miranda, todo empreendedor deve incluir a sustentabilidade na sua rotina, dentro e fora da empresa.

“O tema sustentabilidade é um ciclo. E é esse ciclo que nos mantém sustentável na vida e na empresa. Não temos muito como correr disso. A quantidade de pessoas no mundo é muito grande e os recursos estão diminuindo.”

Ser criativo com pouco é muito importante. Não só para o meio ambiente mas para nós, como seres humanos.

Claudio lembra que todos podem ser criativos. A questão é que nos limitamos quanto a isso. “Às vezes precisamos criar algo que só dá dinheiro e esquecemos de ser sustentáveis.”

“Ser sustentável não precisa ser caro”

Investir em sustentabilidade foi uma questão de consciência de Claudio, mas também para superar uma falta de recursos. Muitos hoje desistem de empreender justamente porque não têm dinheiro.

Para Claudio, ser sustentável não precisa ser caro. “Ser sustentável é algo muito simples. Às vezes você tem uma empresa onde todos deixam a tela em stand by. Se você for ver a quantidade de consumo no final do mês, vai ver a quantidade de energia que você gasta com tempo parado.”

Segundo ele, sustentabilidade são costumes que precisamos mudar. “A sustentabilidade dentro de uma empresa ajuda a inovar. Ela não tem que vir carregada de grandes valores. Tem que partir do mínimo.”

Transformação social

O projeto de Claudio Miranda se tornou uma referência positiva dentro de uma comunidade. Foi uma forma também de promover uma transformação social, levando todo esse movimento a lugares muitas vezes esquecidos.

“Para mim, foi tornar aquele lugar visível. Porque são lugares invisíveis à sociedade e ao governo. Não trabalhamos combatendo a violência e não queremos fazer isso.  Mas trabalhamos para mostrar a criatividade que já existe naquele lugar.”

O objetivo, segundo Claudio, é criar espaços favoráveis para que as pessoas sejam cada vez melhores. “Os projetos estão ali para desenvolver cada vez mais nossas capacidades de seres humanos.”

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