Ele quer ser o maior hub de empreendedorismo no RJ

Um sonhador, mas que faz acontecer. É assim que se descreve Hector Gusmão, CEO e co-fundador da Fábrica de Startups, recém inaugurada no Rio de Janeiro. A proposta é bem ambiciosa: ser o maior hub de empreendedorismo, inovação e tecnologia da cidade.

O objetivo é gerar R$50 milhões em negócios logo no primeiro ano. O espaço vai receber mais de 500 empreendedores, 130 startups e dez corporações. Conversamos com Hector Gusmão no evento .Futuro, que aconteceu nos dias 17 e 18 e maio no Rio de Janeiro.

O que é empreender hoje?

Para Hector Gusmão, empreender é um comportamento. “Não temos a ilusão de que todo mundo vai ser empreendedor, mas se ele absorver o comportamento de empreendedor, até mesmo dentro de uma empresa, ele consegue identificar desafios e soluções.”

Empreender, na sua essência, é identificar oportunidades de mercado e criar algo. E aí há uma diferença entre o idealizador, que tem uma ideia, e o empreendedor, que faz acontecer.

Hector gosta de ser chamado de empreendedor, pois se considera em constante construção. “Estou criando negócios, diferente de um empresário, que tem seu negócio com um modelo fechado. Estou em construção a cada dia, e é uma fase interessante. Eu gosto.”

Sonhar, mas fazer acontecer

Ele lembra que muitos empreendedores têm receio de compartilhar suas ideias e elas serem “roubadas”. Mas Hector não acredita nisso. “Justamente, o que diferencia a ideia de um negócio é o poder de execução.”

Ele conta que quando fala que gosta de sonhar é porque sempre idealizou coisas grandes. E se chegasse pelo menos na metade do que idealizou, já estaria criando algo novo. “De fato, a capacidade de sonhar faz com que você consiga desenvolver coisas maiores.”

Para Hector, um sonho só vai ser realizado se o empreendedor tiver capacidade de:

  • executar
  • colocar a mão na massa
  • assumir riscos
  • aprender
  • escutar o seu cliente
  • melhorar cada vez mais o seu produto

Foco no cliente

Capaz de idealizar, mas também de executar, ele criou um MVP que gerou mais de R$500 mil em vendas com o primeiro negócio, aos 21 anos. Quando perguntamos qual foi o diferencial para todo esse sucesso, ele responde: “Foco no cliente”.

Quando era estudante de Administração na PUC, Hector viu, em uma aula, um grupo conversando sobre uma viagem que gostariam de fazer, mas que ninguém vendia. “É a base da economia, você tem demanda mas não tem oferta. Dali eu criei um protótipo, que era tecnicamente ruim, mas tinha uma proposta de valor muito forte para o cliente.”

É justamente quando se agrega esse valor para o cliente, para Hector, que se torna possível atingir bons resultados. “Eu tive essa feliz vivência de conseguir criar um produto que tinha interesse no mercado.”

O produto era uma viagem para o exterior. Foram vendidos 40 pacotes, em 45 dias.

O maior hub de empreendedorismo

Hector já fez uma imersão no Vale do Silício. Passou também dois meses em Portugal e viu o impacto que a Fábrica de Startups causou no ecossistema empreendedor de lá. Agora, ele traz a Fábrica para o Brasil e busca apoiar a criar empreendedores de sucesso, corporações cada vez mais inovadoras e um desenvolvimento social e econômico para o Rio de Janeiro.

A Fábrica de Startups promove empreendedorismo e inovação desde 2012 através de uma metodologia própria e validada com mais de 500 startups e 1.500 empreendedores de diversos países. No Brasil, será inaugurada na zona portuária do Rio de Janeiro.

O espaço vai receber mais de 500 empreendedores, 130 startups e dez corporações. O objetivo é ser o maior hub de empreendedorismo, inovação e tecnologia da cidade, e gerar R$50 milhões em negócios logo no primeiro ano.

“Quando eu cheguei em Portugal e vi o que tinha acontecido na transformação do ambiente empreendedor depois da crise econômica, era exatamente o que eu sonhava para a cidade que eu tanto sou apaixonado, o Rio de Janeiro. Eu queria criar alguma coisa que disseminasse a cultura empreendedora. Que apoiasse o empreendedor.”

A partir disso, ele começou a negociação com a Fábrica de Startups, para apoiar a expansão em países de língua portuguesa. “Escolhemos o Rio de Janeiro por uma pesquisa de mercado. A pesquisa da Endeavor coloca o Rio de Janeiro como a cidade mais inovadora do país.”

Por outro lado, Hector lembra ainda duas características importantes do Rio de Janeiro: uma indústria criativa que hoje é a segunda maior do país, e é o segundo maior mercado do Brasil.

“Se você junta a capacidade de criar inovação com a capacidade criativa de desenvolver negócios, faltava uma peça do quebra-cabeça que era essencial. Alguém que ajudasse a transformar isso em negócio.”

Empreender em startup

Para quem empreende em startup, Hector Gusmão deixa algumas dicas, que aprendeu ao longo da sua jornada.

Dica 1: Sonhe

“Primeiro, é sonhar. Ter a certeza de que aquilo que você tem como objetivo só depende do seu desempenho e da sua resiliência para se tornar real. É uma jornada muito longa e cansativa. Não adianta ter aquele empreendedorismo de palco. Mas quando você tem o foco em desenvolver um negócio que tenha grande atratividade no mercado, seu dia vai chegar.”

Dica 2: Aproveite as oportunidades

“Tem uma questão de oportunidade para empreender. Principalmente nesse momento de crise que o Brasil passa, que incentiva a empreender. Momentos de crise trazem grandes corporações precisando inovar. E, consequentemente, se conectar com startups é um caminho.

Dica 3: Enxergue o empreendedorismo como carreira

“Por outro lado, tem até mesmo a recolocação profissional. Enxergar o empreendedorismo como uma alternativa de carreira é algo que traz uma realização pessoal e profissional. Existe um mercado de fomento para se relacionar com esses empreendedores criando coisas inovadoras.”

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