Ele largou a carreira estável para empreender em educação

Ter a estabilidade de uma carreira de executivo com a vida consolidada no exterior é o sonho de muitas pessoas. Mas, para Paulo Ganime, o desejo de empreender em educação foi maior.

Para isso, ele retornou ao Brasil e se tornou sócio da Ensino+O². A startup de ensino a distância oferece pacotes de aulas online e já auxilia mais de dez instituições de ensino do Rio de Janeiro na preparação para o vestibular.

Até pouco tempo atrás as plataformas de ensino a distância se preocupavam apenas em oferecer aulas mais baratas para os vestibulandos. Com o tempo vimos um movimento com foco na melhor experiência do usuário.

O diferencial da Ensino+ O² é o olhar 360º para esse que é um dos momentos mais cruciais na vida de um jovem: a escolha da carreira.

Ensino+0² empreender em educação
Parte da equipe da startup Ensino+O² e alunos do vestibular

O foco inicial eram as videoaulas, mas a startup teve que ampliar seu modelo de negócio para crescer. Passou a oferecer a plataforma para instituições de ensino do Rio de Janeiro, e hoje já tem grandes clientes, como o Colégio Liceu Franco-Brasileiro.

Paulo conta que o maior objetivo da Ensino+O² é continuar crescendo com a comercialização da ferramenta para o público B2B (vendendo para outras empresas).

“Atendemos grandes instituições de ensino no Rio e esperamos ampliar ainda mais esse modelo onde as escolas adquirem o serviço e disponibilizam aos seus alunos. Em paralelo ao modelo B2B, continuaremos oferecendo assinaturas por recorrência no formato B2C [direto para o consumidor final].”

Precisamos modernizar os métodos de ensino e oferecer aos jovens ferramentas práticas para maximizar o desempenho em sala de aula. Acredito no poder que as startups têm de virar o jogo e resolver problemas reais não só na educação, mas na saúde e segurança também.

Empreender em educação

A educação vem sofrendo bastante impacto das startups. E Paulo acredita que esse pode ser um caminho para mudar e melhorar a educação do país.

“As startups nascem, geralmente, para resolver um problema, suprir uma necessidade das pessoas. Ferramentas e soluções tecnológicas são sempre bem-vindas para modernizar setores tradicionais da Economia, como a Educação por exemplo.”

Ele ressalta que as startups costumam ter uma cultura organizacional diferente. Por serem empresas nascentes, comandadas por pessoas jovens, há uma flexibilidade maior quanto à organização dos horários de trabalho dos membros da equipe, e o ambiente é mais descontraído.

Mas na hora de colocar a mão na massa e desenvolver o negócio, ele não vê diferença. “Tanto o empreendedor de startup quanto o dono de uma PME precisam ter o mesmo comprometimento, perseverança e espírito de liderança para consolidar o negócio.”

O modelo B2B

A Ensino+O² teve uma mudança de posicionamento, passando a oferecer o apoio ao vestibulando além de somente videoaulas. Paulo conta que ele e seus sócios identificaram essa oportunidade observando dois pontos fundamentais.

“O primeiro é que boa parte de nossa receita estava sendo gerada por escolas que usam nosso material como apoio. O segundo ponto foi em relação às despesas um tanto elevadas que estavam sendo geradas para viabilizar as aulas para o público B2C.” 

Ao analisar esses dois pontos, eles concluíram que estavam concentrando esforços em um produto que não dava um retorno correspondente. A partir daí, o foco passou a ser a venda para escolas, os tornando uma solução para melhorar o desempenho escolar.

“Essa ampliação no modelo de negócio fez a startup amadurecer bastante. Conseguimos otimizar a operação e continuamos a oferecer as aulas por assinatura para o público B2C de uma maneira mais eficiente e equilibrada para a empresa.”

 Junto às instituições de ensino, a Ensino+O² realiza aulões e palestras de vocação profissional. Conteúdos sob medida, de acordo com o que é abordado em sala de aula. Esse amadurecimento, segundo Paulo, se deu pelo fato de ter um time de sócios com saberes e experiências que se complementam.

“Gustavo Lopes é professor de escolas tradicionais no Rio e já tinha um profundo conhecimento quanto às demandas e necessidades dos estudantes. Eu e mais outro sócio, o Marcelo  Legey, tínhamos uma visão orientada para desenvolvimento de negócios. A união de nossas expertises tem dado muito certo para o crescimento da Ensino+O².”

De executivo a empreendedor

Paulo Ganime
Paulo Ganime, sócio da Ensino+O² e mentor de startups

Paulo conta que empreender sempre esteve nos seus planos.

“Decidi voltar para o Brasil porque acredito que há muito a ser feito para melhorar a cena empreendedora. A experiência de executivo no exterior ampliou meus horizontes e me deixou mais preparado para superar os desafios que todo empreendedor enfrenta no Brasil.”

A carreira de Paulo inclui uma experiência de 14 anos nas área de gestão e financeira, em multinacionais como a Michelin.

Hoje, ele usa isso a seu favor, empreendendo na Ensino+O² e oferecendo mentoria e consultoria a startups e pequenas e médias empresas.

“Elas são fundamentais para o Brasil, geram mais de 300 mil novos empregos por ano. Sou apaixonado pelo Brasil e pelo Rio. Ajudar empreendedores é uma das minhas contribuições para melhorar o ambiente de negócios e trazer mais dinamismo e oportunidades de emprego para todos os brasileiros.”

Como executivo, ele teve oportunidade de liderar equipes na Europa, na Ásia e nas Américas. Nesse período, morou na França e ficou no país como expatriado.

“Sem dúvida foi bastante desafiador, você lida com pessoas de diferentes nacionalidades e culturas. Você está em constante aprendizado.”

Para ele, um líder precisa assumir uma postura firme e, ao mesmo tempo, amistosa no ambiente de trabalho.

“Um bom líder sabe delegar, trabalhar em equipe e valorizar todos os envolvidos no projeto. É uma figura que se  preocupa com o bem-estar de todos e se empenha em motivar o time para alcançar os resultados estabelecidos pela empresa. É preciso também ser o exemplo, e ser reconhecido como tal. Mas, principalmente, ter coragem de tomar decisões.”

Empreender no Brasil

Como muitos ressaltam, e Paulo concorda, empreender no Brasil é um grande desafio. Por isso muitos o chamaram de louco quando decidiu voltar ao país para empreender.

Quando faço uma avaliação do mercado, enxergo a burocracia como principal obstáculo ao avanço do empreendedorismo. É um fator que compromete bastante o surgimento e desenvolvimento de novos negócios no país. Desde o processo de abertura de uma empresa até o cumprimento de obrigações fiscais, são gastos muitos dias e horas.

Isso sem falar, lembra ele, no valor dos impostos que são altíssimos. Além da dificuldade que o empreendedor encontra em obter crédito para desenvolver seu negócio.

Com a experiência adquirida em gestão e finanças, Paulo identifica alguns erros dos empreendedores. Para ele, em gestão as pessoas erram principalmente por omissão ou por não verem o todo.

“Muitos não têm coragem de decidir e acabam por nada fazer, e alguns adoram decidir e esquecem das demais áreas. Ter equilíbrio é fundamental.”

Outro ponto, em especial no brasileiro, é a falta de planejamento. “Deixamos tudo para a última hora.”

Já em relação às finanças, Paulo acredita que é algo simples. “No Brasil temos a complexidade da estrutura tributária, das elevadas taxas de juros, do governo que nos atrapalha e da imprevisibilidade do mercado. Resolvendo esses ‘pequenos’ pontos, é matemática, não tem mistério.”

Ele lembra que foi lá no início que enfrentou as maiores dificuldades. Mas, nunca pensou em desistir.

“Você precisa colocar muito esforço para que uma startup em estágio inicial comece a girar, a monetizar de verdade. Passada essa etapa vamos vendo o que funciona. Descarta o que não dá resultado e vai lapidando o negócio. Pivota se necessário e vai em frente.”

Para quem quer empreender, ainda mais em períodos de instabilidade econômica, ele avisa: “A dica principal para quem empreende é ter sempre um capital de giro para conseguir sobreviver nos momentos de recessão”.

Somado a isso, ele recomenda:

Ter alta autoestima;

Ser perseverante e resiliente;

Se capacitar;

Entender se você tem vocação.

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