Eduardo Glitz: o mercado financeiro na era das startups

O brasileiro ainda tem muito medo de investir. Prova disso é que a grande maioria guarda suas reservas de dinheiro somente na poupança, nem sempre a opção mais vantajosa. Por que esse medo tão grande de arriscar? Será que investir dinheiro é mesmo complicado?

Para entender esse cenário, as tendências do mercado financeiro e como as startups estão revolucionando o mundo dos investimentos, conversamos com Eduardo Glitz.

Ele é ex-sócio da XP Investimentos e foi o responsável por transformar a corretora em um “shopping center de investimentos”. Hoje empreende apostando em fintechs e também é um dos sócios da Startse, o maior ecossistema de startups do país.

Por que tanto medo de investir?

Para responder à pergunta acima, Eduardo Glitz faz uma analogia. Ele diz que gosta de comparar investimento com o que conhecemos como “alimentação saudável”.

De um modo geral, as pessoas entendem que elas precisam se alimentar de forma saudável. Mas são poucas as que se interessam por olhar o detalhe do rótulo, quantos gramas tem de carboidrato, ferro, aminoácido e etc.

“Com investimento é a mesma coisa. São poucas as pessoas que têm interesse em se aprofundar e entender. A maioria só quer ter certeza de que está investindo bem.”

É aí que, segundo Eduardo, mora uma grande oportunidade. A maior parte das empresas hoje ainda não conseguiu entregar a melhor solução para o cliente. A necessidade do consumidor é de uma ferramenta simples, clara e objetiva para saber que ele está investindo bem.

O maior desafio hoje no mundo dos investimentos é a comunicação. Sem sopa de letrinha, taxa disso ou daquilo, CDI, CDB, Selic… As pessoas não estão interessadas em saber disso. O desafio hoje é conseguir entregar uma solução que seja simples e fácil.

Para Eduardo, existe uma pequena parcela que quer entender a fundo o mercado financeiro, com todos os seus termos e regras. Mas a grande maioria, não.

“A tecnologia permite isso e começam a surgir cada vez mais plataformas que permitem o investimento de uma forma super simples.”

Segundo ele para quem quer começar a investir, o primeiro passo é guardar dinheiro. “Poupar e saber que se pouparmos e nos organizarmos financeiramente, conseguimos atingir todos os nossos objetivos.”

O empreendedor lembra que muitas vezes, acabamos pensando só no curto prazo, e não pensamos no longo prazo. “O desafio é pensar nos objetivos, onde quer chegar, e depois traçar um plano para chegar lá.”

“O jeito mais fácil de investir bem”

O slogan acima identifica uma das apostas de Eduardo Glitz no mercado financeiro: o Warren.

Consiste em uma plataforma completa de investimentos, fazendo o papel de corretora, gestora e administradora. Autorizado e regulado pela CVM, entidade responsável por fiscalizar o mercado de valores mobiliários no Brasil, o Warren tem a missão de descomplicar as finanças e transformar o hábito de investir em algo fácil, transparente e seguro.

“Ele entrega uma solução para que as pessoas invistam através de objetivos. Entendemos que ninguém investe para guardar R$50 mil, R$10 mil, R$20 mil. A maioria investe porque quer fazer algo com aquele dinheiro. Viajar no fim do ano, comprar uma casa, ter uma aposentadoria tranquila. O Warren tenta organizar sua vida para que você atinja esses objetivos.”

A fintech nasceu exatamente com esse objetivo de transformar o mundo dos investimentos em algo simples e fácil. Afinal, como explica Eduardo, o investidor está muito mais interessado em saber se está investindo bem do que ser um especialista no mercado financeiro.

Por meio do aplicativo Warren, com dois cliques você sabe quanto tem e quanto está ganhando.

“É acabar com essa sopa de letrinha, com essa dificuldade que existiu a vida inteira. Os bancos tentavam empurrar um produto ruim, como título de capitalização, previdência, taxinha aqui, taxinha ali. O Warren vem para mudar isso. Para fazer com que a relação com os investimentos seja muito fluida, simples e transparente.”

União entre as grandes corporações e startups

O conceito do Warren é totalmente alinhado à palavra de ordem do mercado financeiro no mundo de hoje.

“A tecnologia traz uma nova palavra para o mercado: transparência. As redes sociais e a internet promovem a transparência. Então, cada vez mais deixa de existir espaço para aquela taxinha escondida, aquela malandragem.”

Eduardo lembra que hoje, a tecnologia permite que a informação seja mais transparente. É possível comparar os produtos, entender o que está acontecendo e tomar as melhores decisões.

É das startups que partem a maioria dessas novas tecnologias. E os grandes bancos, de olho nesse movimento, estão cada vez mais se aproximando dessas novas empresas.

Não é mais uma briga, entre aspas, dos grandes bancos com as startups. Mas sim de que forma eles podem atuar de forma conjunta. Porque as grandes instituições, não só os bancos, têm duas coisas que têm muito valor: marca forte e dinheiro. É exatamente o que falta e o que as startups mais querem.

Ao mesmo tempo, a startup tem o que as grandes instituições não têm: ousadia e disposição para assumir riscos.

“Se eu sou funcionário de um grande banco, não vou dizer para o meu chefe que vou arriscar R$1 milhão e se eu perder, tudo bem. As grandes instituições não permitem que seus funcionários tomem risco em novos projetos. A startup tem essa liberdade.”

Por isso que, segundo Eduardo Glitz, essa união entre as grandes corporações e as startups acaba sendo uma tendência.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *