Eduardo Glitz: "investir em startup é investir em pessoas"

Sócio da Startse, o maior ecossistema de startups do país, Eduardo Glitz empreende apostando em fintechs. Hoje ele tem participação em seis empresas do tipo, que aplicam a tecnologia no mercado financeiro.

Nessa conversa com o empreendedor, falamos sobre como deve ser o papel do investidor nas startups, e como a ajuda intelectual vale muito mais que dinheiro.

Para Eduardo, do ponto de vista do investidor, o ponto mais importante é entender que investir em startup é um investimento de alto risco.

Eu preciso entender que vou colocar uma parcela pequena do meu capital, e de alguma forma diversificar. Investir em várias startups. Isso se eu quero ser apenas um investidor. Mas existe a opção que eu gosto mais, e é a que eu atuo nas empresas que invisto, que é um investidor atuante.”

Esse tipo de investidor, ele explica, não quer só colocar dinheiro no negócio. Mas quer estar junto, participar e atuar na gestão. Isso tem cada vez mais espaço.

Mais valor tem aquele que quer usar o seu intelecto, a sua capacidade, e também o seu dinheiro, para ajudar uma startup a crescer.

O que uma startup precisa ter

Eduardo defende que o investimento em startups é investimento em pessoas. A ideia, obviamente, tem valor. Mas o mais importante é quem as executa.

Ele, como investidor, precisa entender em qual mercado aquela empresa quer atuar, o que ela busca, se existem concorrentes que fazem a mesma coisa ou não. Mas o que vai fazer a diferença são sempre as pessoas.

“Se elas amam aquele projeto, se sabem exatamente o que estão fazendo, se elas estão dispostas. Não existe projeto B, é projeto A, A e A. Se aquilo der errado, acabou a minha vida. Eu quero aquele que tenha aquilo como seu único projeto de vida. E tem que dar certo.”

Por que uma startup fracassa?

Primeiro de tudo, para Eduardo, é preciso colocar o fracasso como um aprendizado.

“Super legal o cara testar, começar uma empresa e não dar certo. Ele aprendeu e vai tentar outra vez, e em algum momento ele vai dar certo.”

Para Glitz, a primeira coisa é entender que o fracasso é um degrau.

Uma série de fracassos pode se transformar em sucesso.

Mas, para ele, o principal motivo do fracasso acaba sendo falta de foco.

“Eu converso com empreendedor que está começando isso e aquilo, já pensando em comprar outro cara lá, exportar, mandar para fora. Não! Faz só uma coisa e faz muito bem aquilo ali. Se você quer dominar o mercado, faz só um produto de uma forma perfeita e impecável. Dominou, voa.”

Ele cita um exemplo que usava muito na XP – Eduardo foi sócio da XP Investimentos – o jogo War. No jogo de tabuleiro, os participantes devem criar estratégias para conquistar territórios pelo mundo.

“Como fazemos para ganhar o War? Não vou tentar conquistar a Ásia primeiro, super enorme e difícil. Conquisto a Oceania, a América do Sul, fico grande e depois ataco.”

É justamente isso que o empreendedor deve fazer, segundo Eduardo.

“O grande erro do empreendedor é esse: se afobar e perder o foco. Às vezes é ego também, tem muito empreendedor de palco que ganha um monte de prêmio. Que bom que ganhou isso. Mas o que vale mesmo é dinheiro no bolso, lucro e fazer o negócio acontecer.

Para quem empreende em startup, ele aconselha:

Foco, esquece o ego, saiba que vai trabalhar muito e saiba que vai demorar. Não vai levar seis meses ou um ano. Às vezes pode levar uma década. Mas no final, vale a pena.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *