Dia da Mulher: 3 milhões de mulheres nos pequenos negócios

O dia 8 de março é lembrado, todos os anos, em todos os cantos do mundo, pelo Dia Internacional da Mulher. Um dia de relembrar a luta pela igualdade de gênero, mas também um dia para refletir sobre as conquistas até aqui. O que comemorar no Dia da Mulher?

A verdade é que a igualdade de gênero ainda caminha a passos lentos no Brasil e no mundo. O que nos conforta é ver cada vez mais exemplos fortes de liderança e sucesso entre as mulheres.

Pense rápido: quantos exemplos femininos você tem ao seu redor? Mãe, irmã, cunhada, filha, sócia, chefe, dona de casa, empresária. E mais: quantas empreendedoras você já conhece por aí?

dia da mulher empreendedora

Recentemente, ganhamos mais um dado a nosso favor. Na véspera do Dia da Mulher, o Sebrae Minas fez um levantamento sobre a participação feminina no empreendedorismo e no mercado de trabalho das micro e pequenas empresas.

A pesquisa teve como base dados do Portal do Empreendedor. E o resultado é inspirador! Em cinco anos, mais que dobrou o número de mulheres Microempreendedoras Individuais (MEI) no Brasil.

O número de formalizadas que trabalhavam por conta própria saltou de 1,3 milhão, em 2013, para 3 milhões, em 2018. Um aumento de 124%.

De acordo com dados da Receita Federal, até fevereiro deste ano, dos 6.389.621 MEI no país, 48% eram mulheres. Algumas considerações levantadas:

O Rio de Janeiro é o estado em que elas são a maioria (51%);

Em Alagoas e Ceará, as empreendedoras representam a metade dos formalizados;

Em Minas Gerais, dos mais de 736 mil formalizados, 47% eram mulheres, cerca de 347 mil empreendedoras em todo o estado.

Confira a tabela divulgada pelo Sebrae Minas com o levantamento do número de MEI por estado e sexo até fevereiro de 2018:

Dia da mulher
Fonte: Sebrae Minas

Em relação ao mercado de trabalho das Micro e Pequenas Empresas (MPE), segundo levantamento do Sebrae Minas com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2017 as MPE admitiram 4,3 milhões de mulheres, cerca de 39,3% dos contratados no período.

Diferença salarial ainda continua

Apesar do aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho das MPE, elas ainda saem em desvantagem na questão salarial. E essa discussão ganha ainda mais importância no Dia da Mulher. Por que ainda há essa diferença?

De acordo com dados do Caged, as mulheres contratadas em 2017 ganhavam, em média, R$ 1.281,87, R$ 150,03 a menos que os homens. Já entre as demitidas, que tinham um salário médio de R$ 1.380,73, a diferença salarial chegava a R$ 179,13.

O maior contraste foi entre as mulheres demitidas que tinham o ensino superior completo. Elas chegavam a ganhar R$ 1.161,39 a menos que os homens na mesma situação.

Em Minas Gerais, a diferença salarial é ainda maior. As mulheres admitidas ganhavam R$ 163,75 a menos que os homens. Já entre as demitidas, o salário era R$ 180,95 menor que dos homens.

Líderes mulheres mostram lucros maiores

dia da mulher liderMesmo com a diferença salarial e dificuldade em ocupar cargos do alto escalão, as mulheres já dão provas de que podem mostrar bons resultados. Há diversos exemplos de empresas que alcançaram voos mais altos com a presença feminina.

Segundo o estudo “Delivering through diversity”, da McKinsey, as companhias com mulheres no poder conseguem ter lucros maiores. Os rendimentos são, em geral, 21% acima da média, de acordo com os dados coletados em 12 países com mais de mil empresas.

Você conhece o Magazine Luiza? Já deve ter pelo menos ouvido falar, não é? A história da mulher por trás dessa marca serve de inspiração para muitas empreendedoras.

Luiza Helena Trajano é reconhecida pelo espírito vendedor e empreendedor, e pela façanha de tornar o Magazine Luiza uma das maiores redes de lojas varejistas do Brasil. Desde 1991, ela comanda a empresa com pulso forte e uma boa dose de humanidade.

O Magazine Luiza extrapolou Franca, no interior de São Paulo, para ganhar todo o país e transformar-se em um dos e-commerces de mais sucesso.

Mas, mesmo com esse belo exemplo, a liderança feminina ainda é muito menor em comparação aos homens. De acordo com a pesquisa da McKinsey, a Austrália é o país com a maior parcela de mulheres em cargos de liderança. Apenas 21%.

Quer se inspirar? Basta dar uma olhada na lista com as 500 maiores empresas dos Estados Unidos, da Fortune 500. São 24 CEOs mulheres! E tem também a lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo em 2017, da Forbes.

Dia da Mulher no Brasil e no mundo

O Dia da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de “Ano Internacional da Mulher” para lembrar suas conquistas políticas e sociais. A data ganhou até um viés comercial, com aumento de vendas em floriculturas e lojas de chocolates.

O que não se pode esquecer é que esse dia, mais do que qualquer outra coisa, é uma dia de luta das mulheres. “Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental”, declarou a socióloga Eva Blay à BBC Brasil. Ela é uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

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Cartaz na marcha das mulheres em Londres: “O futuro é feminino” (Foto: EPA)

“Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou.

No Brasil, o Dia da Mulher é marcado por protestos nas principais cidades do país. Mulheres vão às ruas reivindicar igualdade salarial e o fim da violência contra a mulher, entre outros pontos. “Certamente o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos”, observou Blay.

Os dados apresentados nesse artigo podem nos animar em relação à liderança feminina, à presença da mulher no mercado do empreendedorismo. Mas ainda há muito o que fazer. Que bom que hoje podemos falar sobre os problemas que antes viviam escondidos.

Hoje não faltam exemplos de mulheres de sucesso. A escolha de empreender pode despontar em algumas (muitas, como vimos), mas não é uma regra. Aliás, nada deve ser regra. E talvez esse seja o ponto crucial da discussão. Ser mãe, irmã, cunhada, filha, sócia, chefe, dona de casa, empresária. Ser empreendedora. Ser o que ela quiser.

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