Design Thinking para transformar o futuro do Rio

Adivinhar o futuro, esperando as coisas acontecerem, ou recriá-lo, propondo novas soluções. Essa foi a discussão proposta pelo Plus Mind Talks, uma série de encontros promovidos pela +MIND! em parceria com a Fábrica de Startups.

Fomos acompanhar o primeiro desses encontros, realizado no dia 11 de dezembro. Na ocasião, agentes do ecossistema empreendedor Rio de Janeiro se reuniram para debater como é possível, usando o Design Thinking, criar futuros desejáveis e transformar realidades.

Design Thinking

Design Thinking é uma ferramenta prática para integrar habilidades e desenvolver uma mentalidade inovadora. É usado em empresas e salas de aula.

A técnica foi desenvolvida em Stanford, e ensina estratégias criativas para que pessoas resolvam problemas.

Marcelo Matos é business designer, facilitador de aprendizagem, autor, escritor, CEO da +MIND! e co-fundador da Pluviotech. Ele falou sobre como o Design Thinking pode ajudar a visualizar e criar o nosso futuro, e sobre a necessidade de sermos agentes ativos de mudança na cidade.

Ele lembrou que segundo o Fórum Econômico Mundial, na sua última resolução em setembro, 65% dos jovens estão aprendendo hoje o que não será necessário no futuro, por conta da reinvenção das profissões.

Para Marcelo, os empregos serão transformados. Aliás, já estão sendo transformados, e isso impacta na nossa estatística no Brasil – hoje temos mais de 14 milhões de desempregados.

“E o que fazemos com isso? Precisamos de trabalho, precisamos gerar oportunidades. E despertar o mindset dessas crianças, jovens e adolescentes na escolas é fundamental para que eles possam ver um horizonte de novos desafios e aprender a tomar as rédeas das suas carreiras.”

O evento também contou com a apresentação de três startups vencedoras do desafio proposto pelo Centro de Operações do Rio de Janeiro, em parceria com a Fábrica de Startups, para solucionar problemas em decorrência das chuvas de verão.

Apresentaram-se representantes das startups GeSensor, Noah, Pluviotech.

O designer Artur Kjá também palestrou, contando sua trajetória profissional e mostrando como o Design Thinking cria, na prática, universos inimagináveis.

Desafio Tack Rio

Os alunos da Escola Técnica do Rio de Janeiro (ETERJ), em Santíssimo, fecharam o evento apresentando a iniciativa ganhadora do 1º Desafio Tack Rio.

Durante dois meses, dez grupos de cinco estudantes, de dez escolas públicas e privadas de ensino médio no Rio de Janeiro, foram orientados por mentores voluntários. Desde a concepção da ideia até a entrega do protótipo e apresentação do projeto.

O Desafio Tack Rio é baseado na metodologia do programa Innovation Camp, da ONG Junior Achievement, maior organização de empreendedorismo jovem do mundo. O programa teve duração de oito horas e, em cada escola, foi realizado em um único dia.

O objetivo era que as equipes de alunos pudessem elaborar soluções inovadoras, a partir das ferramentas de Design Thinking, para um problema cultural vivenciado nas comunidades pobres do Rio.

A etapa final aconteceu no dia 24 de novembro, no Parque Lage, e os campeões ganharam uma viagem para participar do Brazil Conference 2019, em abril em Harvard e MIT, além de R$10 mil em recursos humanos (designer, programador, mentoria e etc.) para desenvolver o Produto Mínimo Viável (MVP).

Design Thinking desafio tack rio

Os alunos André Luiz, Lucas Coelho, Vinícius Maitan, Eduardo Guerson e Pedro Augusto elaboraram o QR Culture, um aplicativo para dar visibilidade aos artistas do grafite das comunidades, de forma inovadora.

“Nosso projeto visa a democratizar a cultura através da inovação tecnológica. Basicamente, para valorizar uma arte contemporânea que é o grafite, e espalhar esse estilo por toda a cidade”, contou André Luiz.

Michel Mesquita, coordenador da ETERJ, ficou feliz de ver a vitória de seus alunos. “Eles amadureceram muito. E o que é bastante interessante é a transformação pela qual eles estão passando. Os valores estão sendo remodelados. Não é só o prêmio da viagem, mas toda essa construção na vida deles.”

Fábrica de Startups

A ordem do dia era mostrar como o Design Thinking ajuda a desenvolver e implementar estratégias vencedoras.

Em todas as apresentações, um objetivo comum era visível: criar soluções tecnológicas que geram impacto para a sociedade. Um propósito extremamente alinhado com o local do evento, a recém inaugurada Fábrica de Startups.

Bruno Castello, co-fundador da Fábrica, contou que o projeto nasceu em Portugal, em 2012, e veio para o Brasil em 2017.

“O principal desafio aqui é conscientizar as grandes empresas que para inovar elas precisam se relacionar com todo esse ecossistema. E do outro lado, nosso principal desafio é garantir que as startups tenham porte e maturidade suficiente para conseguir gerar inovação para as grandes empresas.”

A Fábrica de Startups já acelerou cerca de 100 startups em quatro programas neste primeiro ano no Brasil. E dentro dos programas de criação de soluções, já criou 36 soluções que se tornaram startups.

“Para 2019, a meta é que tenhamos rodando nesse espaço 130 startups e dez programas de aceleração ao longo do ano.” A sede da Fábrica fica em um andar de 3,7 mil m² do Aqwa Corporate, localizado no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

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