Como usar a Copa do Mundo para engajar funcionários

Eventos como a Copa do Mundo 2018 mexem com uma legião de torcedores, não só no Brasil, “o país do futebol”, mas em todos os cantos do mundo. Principalmente nos dias de jogo do Brasil, fica difícil manter o foco no trabalho, não é?

Muitas empresas estão aproveitando o mundial para engajar os funcionários. Enquanto algumas liberam a equipe para assistir aos jogos onde quiser, tem empresa que investiu em corneta, camisa personalizada, café da manhã e até telão.

copa do mundo

Rendimento dos funcionários tende a cair

A Robert Half, empresa de recrutamento especializado, avaliou o efeito da Copa do Mundo no desempenho dos funcionários brasileiros. Para isso, entrevistou 387 profissionais responsáveis pelo recrutamento dentro das empresas e 387 profissionais qualificados.

A conclusão foi:

Para 46% dos entrevistados, o rendimento vai cair nos dias de jogos do Brasil;

Para 51%, o rendimento vai se manter;

Para 3%, o rendimento vai melhorar.

Em relação ao número de faltas em dias de Jogo do Brasil:

Para 19% dos entrevistados, vai aumentar;

Para 77%, vai se manter;

Para 5%, vai diminuir.

Para a maior parte dos funcionários e empresas, os jogos da Seleção Brasileira coincidem com os horários de trabalho.

Fica difícil parar somente para assistir, e depois voltar à rotina. Isso sem contar a tensão anterior. Até dar o horário da partida, só se pensa nisso.

No caso dos jogos no meio do expediente, como o último do Brasil contra a Costa Rica, o impacto é muito maior do que a tradicional pausa para o cafezinho. Chega a ser maior que um intervalo para jogos e videogame, muito comum em startups e empresas mais descoladas.

Como as empresas devem agir?

Para Sandra Helena Santos, psicóloga e professora da Celso Lisboa Escola de Negócios, por ser um esporte da magnitude do futebol e da influência, em especial no Brasil, relutar não é um bom caminho. Esse é um aspecto da cultura de vários povos e precisa ser contemplado.

Sim, os resultados podem ser mantidos e as organizações devem usar esse momento de forma a estimular os funcionários, abrindo espaço para que todos juntos vivam esse momento da cultura. Respeitar esses espaços deve ser considerado como estímulo e a favor da rotina laboral.

Sandra acredita que quando as empresas colocam telões e promovem confraternizações para que os funcionários assistam juntos no local de trabalho, estão engajando seus funcionários. “É trazer a cultura de um povo para dentro do espaço e cotidiano do trabalho.”

Mas, para os funcionários, pode ser difícil manter a cabeça no trabalho mesmo nos dias de jogo do Brasil. Segundo a psicóloga, talvez não seja necessário policiar para manter o foco, mas trazer o tema para dentro das conversas e realidade organizacional.

“Esgotar o tema, permitir que as pessoas falem antes de uma reunião, por exemplo, pode ser um caminho interessante. Schutz afirma em sua teoria sobre grupos que é importante considerar nos diferentes momentos grupais a inclusão do indivíduo. Seja de que forma for, ela deve ser respeitada para que os grupos funcionem em sua potencialidade. Nesse caso, um tema cultural de relevância mundial pode ser tratado respeitando os diferentes tempos dos grupos. Não permitir esse tempo é negar uma característica cultural.”

Nesse tipo de movimento, a empresa ganha onvolvimento do colaborador e sensação de pertencimento, afirma Sandra.

Jogos na empresa aumentam motivação da equipe

Assim como em um jogo de futebol, o dia a dia de uma fintech depende de trabalho em equipe, liderança e um objetivo em comum, o resultado. Para Juliana Marin, gerente de RH da Lendico, fintech de empréstimo pessoal, transmitir jogos na empresa é uma excelente oportunidade na gestão da equipe.

“Assistir aos jogos do Brasil na empresa, com os times de diferentes áreas reunidos, nos ajuda a engajar os colaboradores e favorece o espírito de equipe. Entendemos que essa é uma ótima oportunidade de fazer as pessoas interagirem e perceberem que dividimos alegrias”, explica.

As atividades durante os jogos da Seleção Brasileira são interrompidas, utilizando TVs já existentes no escritório. A fintech investiu na decoração e na disponibilização de comes e bebes aos seus 67 funcionários.

Copa do Mundo empresa
Fintech Lendico durante Jogo do Brasil no dia 22 de junho (Foto: Divulgação)

As ações da Lendico voltadas para seus colaboradores vão desde transmissão dos jogos, momento de descompressão com mesa de sinuca, happy hour, até festas de aniversário temáticas.

Em maio a empresa alugou um fliperama para a comemoração da Festa Nerd e em junho vai fazer a famosa Festa Junina.

Para a gerente de RH da Lendico, Juliana Marin, a partida de futebol tem lições que são parecidas com o trabalho em um escritório.

Em um jogo de futebol a equipe precisa trabalhar em conjunto e desenvolver estratégia para obter resultado. Existe treino, diálogo, liderança e espírito de equipe. O dia a dia de uma empresa não é muito diferente disso.

A Lendico atua no Brasil desde julho de 2015, e já ofertou quase R$ 250 milhões em empréstimo pessoal online no país. São mais de 30 mil clientes atendidos com taxas personalizadas e as facilidades de um serviço totalmente digital.

Coworking tem chopp e churrasco em jogo do Brasil

Em São Paulo, o coworking Plug ficou conhecido pela ação inusitada na Copa do Mundo 2018: chopp e churrasco em jogo do Brasil. O diretor de vendas da Plug, Quitério Melo, conta que o planejamento para o evento foi feito desde abril.

“Consideramos que nossos residentes passam a maior parte do tempo trabalhando, e que poderíamos aliar a Copa ao nosso propósito de fomentar conexões.”

O espaço tem 200 pessoas trabalhando. E ainda neste mês, fará outra ação de relacionamento entre seus membros: pintar a calçada em frente à sede do coworking com o tema da Copa do Mundo 2018.

Cada empresa escolherá um desenho diferente para executar, formando uma pintura colaborativa.

No churrasco, parceiros como O Pico, responsável pela carne, e Sterna Café, responsável pela bebida, fazem promoções especiais como a de chopp em dobro.

coworking Plug copa do mundo
No coworking Plug, jogo do Brasil na Copa do Mundo teve churrasco e chopp (Foto: Divulgação)

A Plug também incentivou membros a levarem amigos e familiares e torcerem não só com a própria empresa, mas com residentes que tenham outros negócios.

“Nosso objetivo é proporcionar momentos únicos às empresas residentes, atrair pessoas para conhecer o espaço e gerar networking”, completou o diretor.

Camisa temática e figurinhas dos colaboradores

Não foi à toa que a brMalls foi eleita em 2017 uma das 50 grandes empresas mais amadas. Para a Copa do Mundo, eles decoraram todo o escritório com as cores verde e amarelo.

“Utilizamos balões, bandeirinhas e testeiras nas TVs que passam todos os jogos na tv aberta, exceto durante as partidas do Brasil, pois os colaboradores são liberados duas horas antes e duas horas depois do jogo. Além disso, fizemos um kit individual com uma camisa temática e duas figurinhas por pessoa”, conta Ana Paula Sousa Seixas, coordenadora de Gente e Gestão.

Uma figurinha era do próprio colaborador para guardar de recordação. E a outra era de alguém aleatório da diretoria.

“Pedimos para que todos, de forma colaborativa, nos ajudassem a montar o álbum gigante, colando as figurinhas dos colegas no painel. Também fizemos um totem para que as pessoas pudessem tirar fotos.”

Na brMalls, equipe montou um álbum gigante, colando as figurinhas dos colegas no painel

Ela conta que a empresa adotou essa estratégia porque entende que é um momento de comemoração, integração, descontração e que envolve todas as pessoas. Além de ser uma ótima oportunidade de reforçar o espírito de equipe.

O objetivo foi integrar, promover o espírito colaborativo, tratar cada funcionário de forma individual e reforçar o sentimento de pertencimento dentro da equipe.

“Os funcionários gostaram muito. Tivemos um alto nível de engajamento nas redes sociais. As pessoas disseram ter se sentido incluídas e valorizadas. Como a ação foi surpresa, todos foram positivamente impactados e no mesmo dia vestiram a camisa. O ambiente ficou muito mais leve e com mais união.”

Empresa não é obrigada a liberar funcionários

É claro que a grande maioria das empresas não priva seus funcionários de acompanhar o desempenho da Seleção Brasileira. Mas, legalmente, elas não são obrigadas a liberar seus empregados no horário do jogo do Brasil.

A obrigatoriedade só vem quando é decretado feriado em razão da Copa do Mundo. Um exemplo disso foi a Copa 2014, realizada no Brasil.

Naquele ano, em dias de feriado, se o funcionário fosse convocado para trabalhar, teria direito a receber um adicional de 100% sobre o valor da hora comum trabalhada. Além de ter direito a um dia de folga compensatória.

Caso fosse feita alguma hora extra, além da jornada normal de oito horas, essas horas também deveriam ser pagas com adicional de 100%.

Em 2014, o Rio de Janeiro foi o primeiro a adotar o feriado nos dias de jogos no estádio do Maracanã. Em São Paulo, também foi sancionada lei que declarava feriado o dia da abertura da Copa do Mundo.

Mas, como este ano a Copa é na Rússia, não houve necessidade de decretar feriado no Brasil.

Reforma Trabalhista prevê flexibilização

Nesse contexto, fica a pergunta: o que a Reforma Trabalhista diz sobre assistir aos jogos do Brasil na empresa?

Com as novas regras, uma grande mudança foi a flexibilização nos contratos de trabalho. Agora, a negociação é livre, e cada empresa pode definir o que acontece durante as partidas.

Segundo o parágrafo 2º, artigo 4º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não são computadas na jornada de trabalho algumas atividades particulares que os trabalhadores exercem em benefício próprio.

Isso acontece quando o empregado permanece nas dependências da empresa para atividades particulares. Por exemplo práticas religiosas, descanso, lazer, estudo e alimentação.

Nos dias de jogo do Brasil, se o funcionário assistir aos jogos dentro do seu expediente e nas dependências da empresa, isso é computado como jornada de trabalho. Não há necessidade de compensação das horas.

Por outro lado, se a empresa resolver dispensar os funcionários e reduzir o expediente, pode exigir a compensação futura. Isso porque o funcionário já foi remunerado por um dia inteiro de trabalho quando recebe seu salário mensal.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *