Confiança é o diferencial das melhores empresas para trabalhar

“A base de tudo está na confiança.” A afirmação, a princípio, parece referir-se somente ao campo emocional. Mas hoje, é determinante também no mundo corporativo. Quem afirma é Daniela Diniz, diretora de Conteúdo e Eventos da Great Place to Work. A GPTW organiza anualmente a lista das melhores empresas para trabalhar.

Daniela participou do Congresso Nacional de Inovação, Trabalho e Educação Corporativa (Conitec 2018). O evento é promovido pela Associação Nacional de Inovação, Trabalho e Educação Corporativa (Anitec) duas vezes por ano, para discutir o papel da educação corporativa na inovação nas empresas.

O que as melhores empresas para trabalhar têm?

Quando fizemos a pergunta acima a Daniela, a resposta veio rápido: “A confiança dessas empresas nos seus colaboradores”. Para ela, esse é, com certeza, o principal ingrediente das melhores empresas para trabalhar.

A Great Place to Work é a única empresa global de pesquisa, consultoria e capacitação que estimula as organizações a identificar, criar e manter excelentes ambientes de trabalho. Tudo isso por meio do desenvolvimento de culturas de alta confiança.

Com a missão de “construir uma sociedade melhor, transformando cada organização em um great place to work”, a GPTW​ está presente em 53 países, analisando mais de 7 mil empresas anualmente, o que corresponde a mais de 12 milhões de funcionários impactados.

Nessa jornada, Daniela já visitou mais de 150 empresas para ajudar a compor o ranking das melhores empresas para trabalhar. Ela acredita que quando você cria um ambiente de confiança, consegue construir políticas e práticas muito mais adequadas a realidade da empresa.

O que a gente percebe nessas empresas é que elas estão muito mais bem preparadas para o cenário atual. Mais preocupadas em identificar políticas e práticas que tenham a ver com a sua cultura e buscar profissionais alinhados a essa cultura e a esse propósito.

Propósito, inclusive, é uma das palavras mais propagadas hoje no mundo das empresas. As que se destacam são justamente as que estão mais sensíveis a essa questão, ressalta Daniela.

“Elas buscam realmente ter profissionais mais alinhados a esse propósito para estabelecer esse círculo de confiança para desempenhar as funções e, obviamente, trazer mais resultados para o negócio.”

Uma empresa péssima para trabalhar é exatamente o oposto disso. “Aquela que não estabelece uma confiança com o time. Aquela empresa que fiscaliza, em que você não tem autonomia, liberdade, flexibilidade, você não se sente confortável em trabalhar.”

Daniela defende que quando há confiança entre os times, não há necessidade de fiscalizar nem comprovar nada. “Você confia que aquele time vai entregar.”

Cuidado com a cultura startup

Ambiente descontraído, liberal, colorido, rompendo os modelos mais tradicionais de escritórios. Assim é a conhecida “cultura startup“, sonho de consumo de muitos profissionais.

Mas, em muitos casos, a modernidade fica apenas na decoração e a burocracia e os vícios dos ambientes corporativos mais tradicionais são os mesmos.

Como, então, equilibrar?

startup melhores empresas para trabalhar

“As startups acabam sendo a onda. As empresas se inspiram muito nisso. Mesmo as grandes empresas querem ter hoje um ambiente de startup. Tem que tomar um pouco de cuidado com esses modismos.”

Para Daniela, o ambiente de trabalho precisa ser verdadeiro, genuíno. Ou seja, tem que traduzir a real cultura da empresa.

“O que a gente ressalta muito para o profissional é ter esse autoconhecimento, saber quem ele é e o que ele busca. E a empresa também. Quem ela é? Qual é a cultura dela? Qual é a essência dela? Antes de estabelecer um ambiente colorido ou divertido.”

Ela ressalta que a base de tudo isso está em descobrir qual é a sua cultura. “Para depois, de fato, estabelecer uma conexão com o seu time. Independentemente de você ter uma parede colorida ou não.”

O fim do “plano de carreira”

No Conitec, Daniela participou do Bate Papo sobre Competências e Tendências no Desenvolvimento de Pessoas nas Organizações. Em sua fala, um dos pontos colocados foi a transformação do que era conhecido como Plano de Carreira nas empresas.

Para ela, a expressão “plano de carreira” já está muito desgastada. Saiu-se de plano para trilha de carreira, e hoje se discute o que é carreira em uma empresa. O que é, de fato, carreira?

“Quando a gente fala de autoconhecimento, esse profissional pode estabelecer uma conexão com a empresa de curto ou de longo prazo. O que a gente diz é que seja muito saudável e que seja eterna enquanto dure essa relação.”

Por isso, ela explica, hoje o movimento é de derrubar aquela velha ideia de “retenção de talentos”. “Ninguém quer reter ninguém. Queremos ter uma relação saudável. Porque ele pode sair e ser um empreendedor. Pode mudar lateralmente de função, adquirir novos projetos.”

Aquele velho plano de carreira ou trilha de carreira, onde você tem que crescer verticalmente na organização, está desgastado. Mas, para Daniela, cabe às empresas e aos profissionais estimularem esse tipo de reflexão.

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *