Como usar a futurologia a favor dos negócios

Você já ouviu falar em futurologia? Conversamos sobre esse assunto com Camila Ghattas no .Futuro, evento que aconteceu nos dias 17 e 18 de maio no Rio de Janeiro.

Ela é co-fundadora da diip, uma empresa de futurologia e co-inovação, além de especialista em estratégias de marketing, tecnologia e inovação.

O que é futurologia?

“A Futurologia é a capacidade que temos de construir melhores futuros.” Assim Camila Ghattas define o termo, ainda pouco falado mas já utilizado por empresas.

Assim como outras ciências, existem várias formas de entender a futurologia. Na diip, Camila e seu time desenvolveram um modelo de atuação que acreditam ser a melhor forma de fazer essa construção de futuro.

“Acreditamos muito que o futuro está na união entre o que as pessoas pensam, querem e desejam, o que as empresas conseguem atingir, novos modelos de negócios, novas visão de branding, e o potencial do que a tecnologia pode entregar.”

Unindo esses três grandes núcleos, segundo Camila, é possível ter uma construção de sociedade que faz muito mais sentido. Uma sociedade muito mais integrada.

O ponto disso tudo é: não adianta você ter excelentes tecnologias e excelentes empresas se você não está atendendo o que as pessoas querem. Assim como não adianta atender o que as pessoas querem mas não ter um modelo de negócio que saiba usar essas tecnologias.

O futuro, para Camila, está nessa tríade entre pessoas, negócios e tecnologia.

Empresa inovadora ou inventora?

Camila explica que quando fala em empresas inovadoras e/ou inventoras, se refere ao processo de inovação como habilidade de capturar valor de mercado. “Acreditamos que a inovação é um processo de três fases. Para inovar você precisa de inspiração, criar ideias e colocar alguma no mercado.”

Na fase de inspiração, você busca informações de uma forma ecossistêmica. É pesquisar várias visões diferentes que, no fim, vão formar a sua visão.

Depois de criar muitas ideias, é preciso colocar pelo menos uma no mercado. E assim poder capturar o valor disso no mercado.

“A diferença é que muitas empresas são muito criativas mas conseguem com muito pouco êxito colocar essas ideias no mercado. Por isso que o futuro está nas empresas inovadoras. E não necessariamente inventoras.”

Porém, os dois tipos de empresa continuam sendo fundamentais. “Uma vez que estamos falando com o consumidor, você tem que ter certeza de que está não só criando. Mas também capturando valor do mercado com isso.”

Ambiente criativo

De acordo com Camila, existem várias formas de criar na empresa um ambiente propício à inovação. “Não existe uma grande fórmula. Pensamos muito mais na questão de receita. Existe um padrão, mas cada um vai adicionando os pontos que são importantes para ele.”

Essa receita vai depender de vários fatores. Por exemplo:

  • a estrutura organizacional da empresa
  • ramo de atuação
  • quais são as metas corporativas e por área

“Você pode criar um comitê de inovação. Ou um ecossistema de inovação. Pode atuar como disseminador de informação em diferentes áreas. Criar processos ágeis, criar um ambiente onde é permitido que se erro, conserte, e erre de novo.”

Camila ressalta: “A inovação, no final das contas, não é mágica, é processo”. Por isso, no ambiente corporativo, é preciso estar constantemente inspirando o time, através de processos claros.

Hoje a inovação deixou de ser uma forma de se destacar no mercado. Virou uma questão de sobrevivência, devido à concorrência muito maior.

“Antes você ia no mercado e tinha três marcas para comprar um produto. Hoje você tem 450 mil marcas no supermercado, fora o que tem online. Então, se você não inovar, não tem chance nenhuma de sobreviver.”

Ela lembra que inovação não está só em produto. “Inovação está em logística, em técnica comercial, em soluções de negócio. Inovação está em tudo. Por isso que ela é muito ecossistêmica.”

Inovação no branding

Acompanhar esse cenário de transformação também influencia no branding. As empresas cada vez mais usam a inovação para fortalecer a percepção da marca com o público.

O branding tem se apoiado nesse campo entre o que é ciência e o que é arte. É maravilhoso como o branding tem se construído com base nessa união.”

A percepção de branding de antigamente e de hoje é totalmente distinta. Hoje cada vez mais as empresas estão mergulhadas nos dados, a ciência. E quando isso acontece, segundo Camila, é possível construir marcas muito mais fortes.

“São marcas que tem um conceito relevante para o propósito do consumidor atual. Isso é muito interessante. Acompanhamos no dia a dia essa transformação do branding. Quando você casa isso, vê um boom. Porque a arte ajuda a parte científica, e a parte científica e analítica ajuda muito a arte. E o branding se constrói da melhor forma possível.”

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