Como montar um estúdio de pilates e se diferenciar

Formada em Fisioterapia e especializada em Pilates, Renata Miniati cansou dos métodos aplicados no mercado e se realizou em um desafio: montar um estúdio de pilates e fazer tudo para se diferenciar nesse mercado.

Hoje, o estúdio Pilates UP, do qual ela é dona, segue com turmas cheias no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro.

Conversamos com Renata sobre sua trajetória, o mercado de Pilates, como é e quanto custa montar um estúdio, além de estratégias para se diferenciar em meio a tantos concorrentes.

Empreendedorismo como uma solução

Renata conta que não conseguia se adaptar aos métodos em que a Fisioterapia é colocada no mercado de trabalho através dos planos de saúde.

“Eu não conseguia atender sem dar resultado em pouco tempo. Eu achava isso ruim, porque o método entre as empresas é prolongar um pouco mais os tratamentos para eles terem maior faturamento.”

Por isso, ela revela que foi convidada a sair de algumas empresas em que trabalhou.

“Até que um coordenador meu falou: Renata, você tem de trabalhar de maneira particular, em empresas que funcionem dessa maneira.”

Foi assim que ela começou a trabalhar com atendimento particular dentro de uma academia na Barra da Tijuca, ainda só como fisioterapeuta.

“Nessa época, em 2002, eu estava acabando de fazer o curso de Pilates dentro da minha formação. Comecei a trabalhar a Fisioterapia dentro do Pilates, que é uma reabilitação um pouco diferente. E depois de ser mandada embora de alguns lugares, eu abri meu próprio negócio.”

Mas, na verdade, hoje ela conta que nunca se viu dentro de uma empresa de alguém.

“Acho que meu método de trabalho é um pouco diferente, a maneira como eu vejo os tratamentos é um pouco diferente do que eu estava vivendo. Então eu falei: ou eu vou me adaptar a eles ou eu vou criar um método próprio. E foi isso que eu fiz.”

Hoje, ela comemora a decisão. “Eu vejo resultado nos meus pacientes. Aquele resultado mais próximo do que eu preciso. E dentro do empreendedorismo eu me realizo. Além de ser fisioterapeuta, que é uma profissão que eu amo, gosto muito do que eu faço e sou bem realizada nisso. Empreender é uma arte.”

Ela explica que criar métodos, organizar agenda, organizar funcionários, para muitos parece muito simples, mas não é. “É uma arte que eu venho estudando e desenvolvendo além da Fisioterapia.”

Mercado de Pilates

O setor de Pilates engloba tanto a reabilitação quanto o bem-estar e estética. Por isso, é uma área apontada como promissora, estando entre os negócios em alta para 2019.

“Eu acho promissor, porque hoje tudo que se vende é qualidade de vida. Você deitar e levantar sem dor, sem ter um comprometimento ortopédico, isso hoje em dia faz bastante diferença na vida das pessoas.”

Renata conta que muitos alunos vão até o estúdio com o objetivo de reabilitação, mas acabam se tornando alunos mesmo depois do tratamento concluído.

“A partir do momento que eles não são mais pacientes, eles se tornam alunos comuns. É onde você trabalha mais performance física, condicionamento físico, melhora até para outra atividade. Porque tem gente que faz pilates apenas, mas tem muitas pessoas que usam o pilates como um gancho para outras atividades.”

Como montar um estúdio de pilates

Para montar um estúdio de pilates, segundo ela, é preciso, antes de tudo, uma boa formação.

“Hoje em dia, os estúdios de pilates têm uma demanda muito grande. Por exemplo, no prédio onde tenho minha sala são três estúdios, no mesmo prédio. Então, qual é o seu diferencial e sua formação?”

Além da boa formação, é preciso fazer um estudo de mercado. “A formação acadêmica é importante, e a formação dentro da área de pilates. E aprender a empreender.”

O nosso maior problema é que só aprendemos a ser fisioterapeuta. Não aprendemos a empreender. Não aprendemos a montar e capacitar nossa agenda de trabalho. Isso não tem nas grades curriculares. Você vai aprendendo na prática ou com cursos que vão te auxiliando.

Localização

Renata abriu o estúdio em 2009. Já teve unidade no Centro do Rio de Janeiro e hoje funciona apenas no Recreio. Ela decidiu fechar o estúdio do Centro porque o mercado naquele local não estava bom.

Neste caso, a localização fez toda a diferença.

“Eu prefiro uma localização mais residencial porque consigo preencher mais horários de atendimento ao público. No Centro, era totalmente comercial.”

Ela conta que no Centro, as pessoas iam antes do trabalho, na hora do almoço ou após o trabalho. Mas houve uma mudança social.

“As pessoas não estão mais indo cedo por causa do trânsito, não ficam até mais tarde por causa da violência e não saem mais para o almoço como antes. No Recreio eu tenho fluxo das 7h às 21h.”

Quem pode abrir um estúdio de pilates

A formação acadêmica é importante não só pela capacitação do profissional, mas também por uma exigência da legislação.

“Você só pode ser educador físico, fisioterapeuta ou bailarino profissional. São essas as três pessoas habilitadas a abrir um estúdio.”

Há também a obrigatoriedade da legalização junto à Prefeitura, uma espécia de MEI (porém não existe MEI para essa profissão), como se fosse um registro profissional.

“Junto à Prefeitura, precisa ter um código profissional que fica cadastrado. E cada profissão tem um código diferente. Além do imposto sobre serviço, vigilância sanitária, tudo isso tem de estar legalizado junto à Prefeitura.”

Quanto custa

Renata explica que três fatores influenciam bastante no custo para abrir um estúdio de Pilates:

– Localização
“Vai depender do bairro em que você vai abrir seu estúdio, porque exige o aluguel e o condomínio. Acredito que com uma sala de 40 metros quadrados dá para iniciar um bom estúdio.”

– Marca dos equipamentos
“O custo da montagem dos equipamentos vai depender da marca. Existem produtos de R$15 mil a R$20 mil o estúdio completo, até R$40 mil a R$50 mil.”

– Acessórios
“A partir de R$1 mil a R$2 mil você consegue ter uma boa capacitação de acessórios.”

Com isso, o custo total seria de R$50 mil, para montar um estúdio completo dentro de uma sala comercial alugada.

A equipe não precisa ser grande, ela ressalta. Hoje, Renata tem três pessoas no seu time.

“Depois que fechei o estúdio do Centro, reduzi muito minha equipe. Trabalho como fisioterapeuta de manhã, porque não consigo largar esse posto, amo dar aula e desenvolver tratamento. À tarde tenho uma outra funcionária, a Paula, instrutora muito bem capacitada. E temos uma secretária.”

Como se diferenciar

Algumas épocas são críticas para um estúdio de Pilates. Por exemplo, período de fim de ano e férias.

“Já tive muita dificuldade, por exemplo fim de ano, o aluno viaja e larga o estúdio. Por isso, hoje eu criei alguns métodos para que eles não saiam nesses períodos.”

Para fazer com que os alunos permaneçam no estúdio, ela monta planos diferenciados e toda uma estratégia de marketing nessa época do ano.

Na tão falada “crise” por que passamos há poucos anos, ela conta que sentiu as consequências mas conseguiu crescer.

“Na crise, a primeira despesa que você tira é o Pilates, o curso de Inglês, não são suas contas fixas. Nessa época, não aumentamos valores e fizemos uns programas muito bons para que eles permanecessem. Nossa perda foi pequena e logo no mês seguinte, conseguimos evoluir.”

Além disso, ela não trabalha apenas com aulas, mas diversifica outros produtos complementares.

“Por exemplo, roupas de academia, as nossas fitas, que eu como fisioterapeuta uso muito, para estabilização articular. Temos uma nutricionista que vai às vezes dar palestras, fazemos essas parcerias profissionais com médicos, endocrinologistas. Vamos fazendo com que o amparo ao cliente seja maior. Fica mais completo.”

No estúdio de Pilates da Renata, os alunos são aconselhados a pedirem exames laboratoriais aos seus médicos.

“Temos também esteira ergométrica, então fazemos todo um trabalho em conjunto para a capacitação física deles. Quanto mais envolvimento eles têm dentro do estúdio, mais eles ficam ali dentro.”

Marketing e divulgação

Para divulgar seu estúdio e conseguir mais alunos, Renata usa algumas ferramentas de marketing.

Instagram funciona muito bem, mas não é meu maior foco. Eu faço algumas publicações, divulgo o trabalho, e agora vou começar com alguns vídeos explicativos da profissão. Isso demanda um tempo, tem de ter uma disciplina absurda.”

O que dá bastante retorno e ela aposta bastante são os anúncios Google. “Para mim é uma ferramenta muito boa.”

Para quem está começando este tipo de negócio, ela recomenda: estude!

Mais do que estudar sua profissão, é estudar o empreendedorismo.

Para além da Fisioterapia e do Pilates, ela correu atrás de cursos que pudessem a ajudar a se tornar uma empreendedora de sucesso.

“Fiz alguns cursos, como o Empretec, que foi muito bom para mim. Usei muita ferramenta do Sebrae, que ajudou a me mostrar como estou no meu mercado. Fiz alguns cursos de RH, gestão, um pouquinho de cada coisa. E isso acaba complementando.”

Além disso, ela ressalta: “Converse com pessoas que entendem mais do negócio que você, não tenha vergonha de tirar dúvidas, empreender é um desafio diário, você tem conquistas diárias”.

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