Camila Farani: o que uma startup precisa para receber investimento

Uma das mais conhecidas mulheres investidoras anjo no Brasil, Camila Farani participou do Hacking Rio, na sexta, 27 de julho. Na palestra “Shark Tank: que empreendedores estão na mira dos tubarões?”, ela bateu um papo com Lindália Junqueira, head do evento.

Durante aproximadamente 30 minutos, o público pode pegar várias dicas de quem olha para as startups com outros olhos. Camila é um dos “tubarões” do programa Shark Tank Brasil, onde empreendedores vão tentar vender suas ideias para investidores.

Planeje, mas execute!

Camila Farani tem uma frase conhecida que é: “o caminho mais curto entre dois pontos é a execução”.

Para ela, planejar é importante, sem dúvida nenhuma. Mas é a prática que dá a vivência e a experiência que muitas das vezes o planejamento não dá.

“Quando eu falo execução é porque é bom você planejar, mas é bom também ir para a rua, validar, entender e saber como isso pode acontecer. É validar hipóteses e transformar isso em fatos. E isso vai muito mais do seu potencial de ir para a rua do que dizer que você vai ser um super empreendedor.”

A investidora conta que grandes líderes que vê, o que ela chama de “fazedores”, são pessoas que executaram muito. “Saíram do campo das ideias, foram lá e colocaram em prática.”

Do que uma startup precisa?

Camila Farani
Camila Farani como um dos “tubarões” do programa Shark Tank Brasil

Premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016, ela é advogada, pós graduada em Marketing e com especializações em empreendedorismo e inovação por Stanford e MIT. Recentemente fundou a butique de investimentos G2 Capital para apostar em novas empresas de tecnologia.

Em entrevista exclusiva ao nosso portal, pedimos que Camila revelasse o que uma startup precisa ter para se tornar atraente a investidores. Ela apontou os três pontos a seguir.

1) Time

“Primeiro, ela tem que ter um time complementar. O que eu vejo mais acontecer é: você tem uma startup, tem tecnologia e você não tem um bom chefe de tecnologia. Não precisa ter um diretor, mas uma boa pessoa de produto. Chamamos a tecnologia de produto. O primeiro de tudo que eu analiso é um time que seja complementar.”

2) Modelo de negócio

“A segunda coisa que eu analiso é o modelo de negócio. Se existe um grande problema, se existe uma solução e o quão tracionado pode ser esse negócio. O quanto ele pode crescer.”

3) Possibilidades de retorno financeiro

“O terceiro, e não menos importante, é, dentro do tamanho de mercado, quais são as possibilidades de saída. Eu como investidora de startups coloco dinheiro também. Naturalmente, o investidor também quer ver o seu dinheiro capitalizado, cinco, dez, 15, 30 vezes.”

Antes de tudo, autoconhecimento

Camila Farani hoje lida o tempo todo com outros empreendedores. Muitos deles na fase inicial, antes de colocar seu negócio em prática. Com isso, ela pode perceber as maiores dificuldades de quem decide empreender no Brasil.

“Antes de tudo, existe um processo de se acreditar. Você vê muitas pessoas com muitas ideias. O que eu mais recebo são mensagens de pessoas com ideias. Mas eles mesmos se colocam em uma posição em que se subestimam. De certa forma, eles se autossabotam e acham que não vão conseguir.”

Ela explica que existe uma glamourização do empreendedorismo. E revela que luta cada vez mais para isso diminuir.

Empreendedorismo não tem nada de glamour. Abrir negócio não tem nada de glamour. Momentos como esse tem, sim, você dando uma entrevista, é muito bacana. Mas você tem que executar. Eu saio daqui e vou fazer reunião com a minha equipe.

Para Camila Farani, antes de tudo, deve existir um processo de autoconhecimento. Depois, para empreender, vale planejar. “Mas depois de planejar, é você ir para a rua e validar os fatos.”

Ela lembra de uma frase de Steve Blank, empreendedor em série do Vale do Silício: não há respostas dentro do escritório.

“Se você quer chegar a algum lugar, vai validar todas as hipóteses que você acredita, as funcionalidades, tipo de prestação de serviço, tipo de produto. Isso não depende de dinheiro”, finaliza a investidora.

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