Caipirinha com uma dose de inovação

Cachaça, limão e açúcar. Essa é a receita de sucesso de Paulo Brunholi, engenheiro químico que adicionou à tradicional caipirinha uma pitada de inovação. Ele desenvolveu um processo especial para manter o sabor original da bebida, e é destaque do Boteco de Sucesso Sebrae, na Feira do Empreendedor 2018.

Que a caipirinha é favorita do gosto do público não é segredo. Mas essa surgiu de uma forma inusitada. Paulo e sua família possuem um complexo turístico e gastronômico, o Villa Brunholi. O espaço agrega adega, minifazenda, brinquedoteca, restaurante e museu do vinho.

Entre os mais diversos produtos oferecidos, havia um licor de cachaça, sabor limão, que conquistava o público pelo sabor aproximado ao da tradicional bebida brasileira. Ao identificarem oportunidade de mercado com a bebida, a equipe da Brunholi investiu em estudos e pesquisas. Até chegarem em uma fórmula 100% natural que preserva o sabor da cachaça e do limão.

“Tudo começou com a linha de licores fabricados em nosso complexo, o Villa Brunholi. Um deles era um licor de cachaça com limão. A semelhança com o sabor da caipirinha nos fez enxergar que era possível entregar ao mercado uma caipirinha pura, sem sabor artificial utilizando os ingredientes naturais”, conta Paulo.

Essa é a inovação tão falada no produto. Muitas marcas já tentaram essa façanha mas acabaram entregando ao mercado caipirinhas industrializadas, que foram rejeitadas pelo paladar dos consumidores pelo sabor artificial. A inovação não está ligada aos ingredientes, mas sim, ao processo desenvolvido pelo engenheiro químico, para estabilizar o sabor.

“O grande desafio para a produção da caipirinha foi a estabilização do limão, se você cortar um limão e demorar 40 minutos para fazer a caipirinha, já vai sentir o amargor. Conseguimos, por meio de muitos testes e estudos, um processo onde não há oxidação, sendo assim, ela continua sempre fresca, igual a caipirinha feita na hora”, finaliza Brunholi.

Família empreendedora

Paulo já nasceu em um ambiente muito propício ao empreendedorismo. Sua família, desde a primeira geração, cultiva esse gosto por empreender e criar novos negócios. “Vir de uma família onde a cultura já é de empreendedorismo facilita muito. Você já tem a escola, a bagagem e também o apoio dos pais, dos irmãos. Isso é bacana”, conta.

A história da família de Paulo teve início em 1889, quando Antônio Brunholi, o Nonno, e Emma Balzanelli, a Nonna, ambos da Itália, deixaram sua terra natal para atravessar o oceano Atlântico e desembarcar no porto de Santos.

Juntos, eles economizaram dinheiro e compraram uma propriedade no bairro Caxambu, em Jundiaí, a 40 minutos de São Paulo, onde tiveram dez filhos. No sítio de oito alqueires, Nonno dedicou-se a vitivinicultura, atividade que envolve o cultivo das vinhas e a fabricação de vinho.

Na década de 1950, Antônio construiu uma Cantina, onde produzia 40 mil litros de vinho por ano. Depois veio e restaurante, na própria casa, e hoje já são 70 colaboradores no complexo Villa Brunholi.

A produção inclui vinhos de mesa (tinto, branco, rose e frisante), massas, licores, vinagre e, inclusive, a caipirinha. Os atuais proprietários são da terceira e quarta geração da Família Brunholi – Paulo é da quarta.

Complexo Villa Brunholi abrange restaurantes, adega, mini fazenda, museu e loja de produtos de fabricação própria
Complexo Villa Brunholi abrange restaurantes, adega, mini fazenda, museu e loja de produtos de fabricação própria
Complexo Villa Brunholi abrange restaurantes, adega, mini fazenda, museu e loja de produtos de fabricação própria

Dificuldades

Mesmo vindo de uma família empreendedora, o que facilitou o processo, colocar a ideia da Caipirinha em prática não foi tão fácil assim. Pedimos ao Paulo que lembrasse dos obstáculos enfrentados. Para ele, o convencimento das pessoas foi a maior dificuldade.

– Primeiro, convencer todas as pessoas em volta que isso é uma ideia bacana;

– Conseguir tornar esse produto viável;

– A estabilização do sabor;

– Conseguir vender essa ideia, porque não é só um produto, é um serviço, é a forma de servir a caipirinha que é diferente.

A marca caipirinha

Brunholi caipirinhaUsar um nome tão comum tem vantagens e desvantagens. Você corre o risco de não ter a identificação com sua marca, mas ao mesmo tempo tem grandes chances de aumentar o alcance do produto. Fique atento apenas em relação às leis.

“O nome caipirinha pode ser usado como denominação do produto. Nós temos a marca comercial que é Brunholi, e a denominação do produto que é a caipirinha. É possível utilizar, desde que ela tenha três ingredientes: cachaça, limão e açúcar. Tendo esses ingredientes ela pode ser chamada de caipirinha”, explica Paulo.

A Caipirinha Brunholi já está ganhando, inclusive, o mercado exterior. “O mercado exterior vê, sim, com bons olhos os produtos brasileiros. E a caipirinha é um dos principais ícones brasileiros lá fora. Qualquer estrangeiro que você conhece, a primeira coisa que ele fala do Brasil é futebol ou caipirinha. Lá fora está tendo uma aceitação muito bacana”, conclui.

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