Arthur Diniz: a importância do fit cultural para as novas empresas

Em 2003 ele fundou a Crescimentum, hoje considerada uma das melhores empresas de desenvolvimento de líderes no Brasil. Palestrante no RD Summit 2018, Arthur Diniz explicou por que empresas como Apple, Amazon e Microsoft são consideradas organizações exponenciais, e como o fit cultural tem sido muito importante nas contratações..

Organizações exponenciais

Responda rápido: sua empresa está mais para exponencial ou mais para tradicional? Você sabe a diferença entre esses dois termos?

Segundo Arthur Diniz, as organizações exponenciais começam com um modelo mental totalmente diferente. “Enquanto as organizações tradicionais crescem a taxas marginais, como 10, 15, 20%, as organizações exponenciais crescem dez vezes, crescem a margens consideradas absurdas.”

Essas empresas apresentam duas características básicas:

– modelo mental diferente;
– aceitam perder a curto prazo para ganhar no longo prazo.

Ele conta que empresas exponenciais têm prejuízo no início, para colher bons frutos mais lá na frente. É uma visão bem diferente da dos empresários mais tradicionais, que sempre visam ao lucro independentemente da situação.

“São organizações que no começo do investimento todas têm prejuízo. Waze, Amazon, Facebook… Elas aceitam ter prejuízo durante um tempo, fazem uma curva para baixo no começo para depois fazer uma curva exponencial e crescer a margens absurdas.”

Fit cultural

Sabe o que essas organizações têm em comum? Uma cultura muito bem estruturada, muitas vezes antes mesmo de o negócio nascer.

“A cultura vai ser o alicerce. Em uma organização tradicional, se você não tem uma cultura mas tem uma gestão bem centralizada, você consegue crescer de forma organizada. Uma empresa exponencial só cresce de forma organizada se a cultura for o suporte disso. É a forma de as pessoas saberem o que pode e o que não pode ser feito dentro dessa organização. Como manter a qualidade, como crescer de forma homogênea, como fazer com que a coisa siga uma direção e uma visão sem se perder.”

Essa ideia de cultura forte, hoje em dia, é conhecida pelo termo “fit cultural”. Nada mais é do que a adaptação da pessoa em relação aos valores, missão e visão da empresa. Ou seja, o perfeito alinhamento entre o comportamento do profissional e as ações esperadas pela empresa.

O fit cultural vem ganhando força nas contratações. Já tem muita empresa colocando o fit como um dos principais critérios para contratação de novos colaboradores. Acima até mesmo das competências profissionais e técnicas.

A ideia é que a empresa pode ensinar e qualificar o profissional, desde que ele esteja alinhado com os valores da organização. Por outro lado, não pode criar a cultura na cabeça de um colaborador que não acredita nos mesmos valores.

Por isso, o que as empresas mais têm buscado em seus processos seletivos são perfis adequados com sua cultura, que possam ser moldados e adaptados para cada função.

“O processo de contratação tem de ser longo e bem estruturado. Começa por testar se a pessoa tem capacidade técnica. Se tem capacidade cognitiva é o segundo passo, e aí você tem testes e ferramentas para fazer isso. Depois vai para uma outra fase de “tem fit com a cultura da empresa?”, “essa pessoa se encaixa na organização?”, porque existem empresas fantásticas, mas que não são para mim e podem ser para você.”

Nesse sentido, lembra Arthur, a contratação deve ser um processo bem detalhado, com várias entrevistas. “E a alta liderança da organização tem de investir tempo e se dedicar a esse processo. É muito mais barato gastar dinheiro para contratar do que demitir ou ver as pessoas indo embora porque não se encaixaram na organização.”

Nas startups, o fit cultural é muito valorizado. Arthur destaca também outros pontos em comum entre elas.

A tendência das startups é crescer de forma cada vez mais rápida, com muita autonomia para as pessoas. E a grande diferença com relação ao modelo mental do passado é: testa, vê se funcionou e vai. É parar de planejar muito e começar a fazer.

Quem é Arthur Diniz

Arthur Diniz fit cultural rd summitArthur Diniz é fundador da Crescimentum, que oferece o que há de mais revolucionário em treinamento e desenvolvimento de pessoas. O objetivo da escola é fazer um mundo melhor transformando pessoas em líderes extraordinários e empresas em organizações mais sustentáveis e humanas.

Em 2005, Diniz criou o curso mais completo de desenvolvimento de liderança do Brasil, o “Líder do Futuro”. É formado em Economia pela PUC-RJ e já foi professor de Empreendedorismo e Liderança nos cursos de pós-graduação do Ibmec.

Foi escolhido pelo Estadão como um dos Empreendedores do ano em 2017. Em 2018 participou do “Exponential Innovations Program” na Singularity University, localizada no coração do Vale do Silício.

Diniz foi nomeado em 2001 como um dos 20 CEOs do Futuro, segundo a revista Você S/A.

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