5 tendências tecnológicas na área de Gestão de Pessoas

A área de RH ou Gestão de Pessoas é altamente afetada pela transformação digital, apesar de seu foco principal ainda ser nas pessoas.

De acordo com o estudo MetLife de Tendências de Benefícios para Funcionários 2018, 82% dos empregadores acreditam que devem ter responsabilidade pela saúde e bem-estar de seus funcionários e 96% acreditam que a empresa deve incentivar o comportamento saudável dos colaboradores.

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Essa mudança é totalmente positiva para o setor. Reflete, para 70% dos gestores de RH brasileiros entrevistados pelo estudo DOM Strategy Partners, uma grande motivação para promover evoluções.

Neste sentido, um grande movimento de mercado busca transformar o RH em um setor cada vez mais estratégico e eficiente. Tanto para melhorar a vida dos colaboradores quanto para obter melhores resultados.

“Cada vez mais fica nítido que as ações de gestão de pessoas precisam estar diretamente conectadas com o negócio e a estratégia da empresa. Caso contrário, serão apenas paliativas e incoerentes com o negócio”, pontua Caroline Schmitz.

Ela é vice-presidente de Gestão de Pessoas na Cheesecake Labs, que programa aplicativos web e mobile. Segundo Caroline, a área precisa estar na mesa de discussão para garantir o sucesso do negócio através das pessoas, convergindo com os valores e propósitos de todos os envolvidos.

Schmitz conta que foi pensando nisso que a Cheesecake Labs criou uma diretoria de DHO (Desenvolvimento Humano e Organizacional). Justamente para garantir que a área de pessoas tenha o mesmo protagonismo e impacto na estratégia que as demais áreas – comercial, financeira, técnica e etc.

Confira cinco grandes tendências em Gestão de Pessoas e recursos humanos para o ano de 2019, com foco na transformação digital.

Automação, Inteligência Artificial e Realidade Virtual

Uma das tendências mais básicas, mas que ainda não está totalmente dominada pelas empresas, é a automatização de processos mais simples de gestão e burocracia relacionados ao RH.

É o caso de realização de cálculos, envio de documentos, organização e armazenamento de arquivos. Essas atividades, se automatizadas, podem promover grande otimização de tempo dos profissionais e convergir em aumento de produtividade e segurança nos processos.

Além de facilitar a realização de atividades que exijam a mão humana como o recrutamento e a definição de cargos e salários, visto que tudo pode estar organizado em uma planilha.

O uso da inteligência artificial é uma das formas possíveis de automatizar o RH, pois diz respeito à criação de repetições do comportamento humano pelas máquinas.

Alguns exemplos de como isso pode ser aplicado ao RH são:

  • o uso de biometria, para identificar características de um indivíduo;
  • a criação de bots, para buscas e análise de dados na internet ou na rede interna da empresa;
  • algoritmos como os do Facebook, por exemplo, que são códigos que aprendem a partir de ações dos indivíduos, sendo capazes de eliminar um candidato em um processo seletivo por identificar que o mesmo não possui a qualificação necessária predefinida.

Além da inteligência artificial, tecnologias como reconhecimento facial, internet das coisas (IoT) e cloud computing também representam tendências nos setores de RH.

A Ahgora desenvolve softwares e hardwares voltados à gestão de ponto e acesso utilizando essas tecnologias, que permitem automatizar rotinas de RH e entregam informações estratégicas para aumentar a eficiência operacional das organizações.

Uma das aplicações desenvolvidas pela empresa é um aplicativo para smartphones, em que o colaborador pode confirmar sua presença por Reconhecimento Facial. O Ahgora Multi utiliza a câmera do celular para reconhecer o rosto do usuário, possibilitando que o colaborador registre a batida de ponto a qualquer hora e de qualquer lugar.

O sistema utiliza algoritmos sofisticados para detectar pontos faciais diferentes, como contorno dos olhos e lábios, e ponta do nariz, e cruza as informações com as fotos armazenadas no software.

Big Data e People Analytics

A tomada de decisão com base em dados é também uma grande tendência para o setor de RH.

Milhões de dados são gerados todos os dias, mas sem uma tecnologia que permita a análise desse volume de informações, eles nada seriam.

Big Data refere-se à possibilidade de máquinas analisarem todo o volume de dados gerado nos diversos sistemas e, a partir disso, organizá-los em relatórios, planilhas e outros recursos possíveis. Dentre estes dados estão todas as informações relacionadas aos colaboradores das empresas, que dizem respeito ao setor de RH.

Coletá-los, organizá-los e analisá-los são as principais competências da estratégia conhecida como People Analytics, que visa obter insights sobre o comportamento dos indivíduos e, a partir disso, identificar características como alinhamento cultural, necessidades de treinamento, motivos de rotatividade, entre diversas outras possibilidades.

Desenvolvimento, motivação e treinamento

Por falar em treinamentos, essa é mais uma das grandes tendências para o setor de RH em 2019: treinamentos para desenvolvimento de competências e lideranças.

A tecnologia pode estar envolvida nas metodologias, mas essa tendência está focada diretamente nas pessoas e visa o seu desenvolvimento. O foco é em tornar o funcionário cada vez mais especialista em sua área de atuação, desenvolvendo competências técnicas e softskills.

Os treinamentos funcionam também para colaboradores que já seguem uma trajetória de liderança, de forma a desenvolver cada vez mais sua capacidade de gerir, desenvolver e motivar pessoas enquanto líder.

Engajar os colaboradores por meio de gamification, premiações e reconhecimentos também representa uma tendência que já é colocada em prática em diversas empresas.

É o caso da GoGood, que desenvolve uma plataforma de saúde e bem-estar corporativo com recursos de gamification e recompensa social.

“Nossa plataforma integra aplicativos de saúde, como Strava, FitBit, HealthKit e RunKeeper e, por meio deles, é possível estabelecer metas para os colaboradores. Quando eles atingem esse desafio, a empresa faz alguma ação social com uma ONG previamente definida em conjunto. Isso estimula a participação das pessoas e gera uma competição saudável, com um prêmio melhor ainda”, explica Bruno Rodrigues, CEO da GoGood.

Outra possibilidade de treinamento, dessa vez externo à empresa, é o investimento em educação para facilitar o processo de recrutamento para os setores de RH.

Através de programas de capacitação, as empresas podem qualificar e selecionar os melhores profissionais para as vagas disponíveis. É o caso dos programas de aceleração da Code:Nation, gratuitos para desenvolvedores, no qual os inscritos são preparados por meio de uma plataforma online baseada na metodologia Challenge Based Learning, que facilita o aprendizado através de desafios de programação.

O foco desses programas depende das demandas da empresa contratante, e os participantes recebem auxílio de tutores e assistem a palestras com grandes nomes do mercado.

Flexibilização do local e horário de trabalho

Trabalhar por satisfação e não somente por estabilidade é cada vez mais uma tendência entre os trabalhadores, principalmente os mais jovens, que estão entrando no mercado de trabalho.

Uma tendência no mercado de RH que já vem se consolidando e deve aumentar ainda mais em 2019 por meio da tecnologia de sistemas de gestão em nuvem é o home office, também conhecido como anywhere office.

Por meio da instituição desta prática nas empresas, é possível transportar o escritório para onde quer que o colaborador queira ou precise trabalhar, oferecendo acesso remoto a todos os sistemas e recursos de que necessita em seu dia a dia.

Este é um benefício tanto para as empresas, que promovem essa inovação em seus ramos de atuação e podem gerar mais produtividade a partir da felicidade dos seus colaboradores, quanto para os próprios colaboradores, que podem optar por trabalhar de um local que os deixe mais felizes, possuem mais flexibilidade e mobilidade.

O que importa neste novo formato de trabalho é que os colaboradores entreguem suas tarefas de forma satisfatória. Com a ajuda de tecnologias para gestão de ponto e banco de horas, fica muito mais fácil manter controle das horas trabalhadas, visto que isso ainda segue como uma determinação contratual que deve ser cumprida.

Na Involves, a prática de home office foi um pedido dos próprios Involvidos, como são chamados os colaboradores. Hoje, quem atua na empresa pode fazer até 16h semanais remotamente.

Para manter a produtividade e ter a gestão das atividades desenvolvidas em outros ambientes, os procedimentos são avisar o gestor com no mínimo dois dias de antecedência e alinhar as entregas que serão feitas.

Manoela Mees, analista administrativo da empresa explica que a prática auxilia no melhor aproveitamento do tempo. “Nós pensamos no home office para quem deseja otimizar seu dia, seja para focar numa entrega importante ou para economizar tempo com o deslocamento”, explica.

Employer Branding

O investimento em estratégias de flexibilização do horário e local de trabalho e naquelas voltadas a desenvolver os colaboradores contribui também para melhorar o clima organizacional.

A oferta de programas de saúde e bem-estar também é uma opção para proporcionar níveis mais altos de satisfação, lealdade e produtividade dos funcionários.

De acordo com o estudo MetLife de Tendências de Benefícios para Funcionários de 2018, 80% dos colaboradores se sentem física e mentalmente capazes de realizar seu trabalho com o subsídio deste tipo de programa.

Indiretamente, tudo isso culmina na melhoria da imagem da empresa como empregadora e, diante da alta competitividade por bons talentos, a tendência vem ainda com mais força para 2019.

Parte do escopo de marketing e construção de marca das empresas, o employer branding é uma estratégia para atrair e manter os profissionais engajados.

“O foco das estratégias de employer branding é encantar os funcionários para transformar o trabalho em uma experiência e fazer com que eles se tornem promotores da empresa, principalmente em momentos de crise”, explica Bruno Rodrigues, CEO da GoGood.

Dessa forma, a empresa cria um ímã de talentos e consegue retê-los. Além de um ambiente saudável de trabalho, é preciso focar na valorização do profissional com um salário justo, benefícios interessantes, política de feedbacks e transparência no relacionamento com as lideranças para promover maior retenção.

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